O governo Trump anunciou um novo tarifaço contra o Brasil. As tarifas adicionais serão de 25%. A boa notícia é que diversos setores foram isentados como carnes, café, aeronaves, suco de laranja e petróleo. Por outro lado, as indústrias do aço, do etanol e de vestuários terão de lidar com tarifas bem mais elevadas, dificultando as exportações para os EUA.O governo brasileiro bem que tentou, mas não conseguiu reverter o tarifaço. A luta contra o fim do tarifaço é legítima, mas a justificativa, não.O governo alega que o tarifaço não poderia ser aplicado contra o Brasil, uma vez que os EUA são superavitários em relação à nossa balança comercial. No entanto, tarifa protecionista não tem relação com déficit/superávit comercial de um país.A teoria econômica diz que um déficit na balança comercial significa apenas que o país consome mais que produz internamente ou, de outra maneira, investe mais do que poupa. Isso é uma identidade econômica.Na prática, a teoria se confirma. Há países, com baixo grau de protecionismo (Singapura, Suiça e Irlanda), superavitários na balança comercial. Por outro lado, há nações super protecionistas com sistemáticos déficits comerciais na balança comercial (Índia, Argentina, Nigéria).Isso posto, a justificativa para os EUA não nos taxarem é insustentável, pois o Brasil é uma economia ainda muito fechada. De acordo com a OCDE, temos tarifas 8 vezes superior à de países como México e Chile.O governo brasileiro deve lutar pelo fim do tarifaço, mas propondo acordos de redução tarifária em conjunto com os EUA, e não posar de vítima, enquanto nossa economia é ainda muito fechada e protecionista.