Consultoria diz que Previ não justificou troca de comando na Vale

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A disputa pelo comando do conselho de administração da Vale vem provocando mais um choque entre a gestão da companhia e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).O temor nos bastidores é sobre a tentativa de interferência do governo federal na gestão da empresa.Em meio ao processo de sucessão, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, pediu uma reunião, em caráter de urgência, com todos os integrantes do conselho de administração da companhia. Leia Mais Vale adota novo sistema de segurança operacional para ferrovias Vale elege Wilfred Theodoor Bruijn como presidente interino do conselho Vale avaliou e descartou investimento em minério de ferro em Corumbá Segundo relatos obtidos pela CNN, o convite foi rejeitado porque o entendimento dos conselheiros é de que o interlocutor do Executivo com a companhia é o Comex, a área de comércio exterior do governo, e não o MME.A reunião não aconteceu. Mas o incômodo ficou, diante do receio de uma nova tentativa de ingerência política na gigante de mineração.Não seria a primeira vez.Desde 2023, o governo Lula tentou emplacar, sem sucesso, aliados em postos de comando na principal mineradora do país.Primeiro, o nome do ex-ministro Guido Mantega como presidente da companhia. E agora, a mudança na presidência do conselho foi deflagrada justamente pela Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, maior acionista individual da companhia, com uma fatia de 6,8% das ações.A Previ pediu a substituição de Daniel Stieler, que havia sido indicado ao conselho pela própria entidade em 2021 — sob o governo de Jair Bolsonaro. Publicamente, a fundação apresenta o movimento como uma renovação destinada a fortalecer a independência do colegiado.Em meio à nova investida da Previ no conselho da Vale, o fundo de pensão pediu, para o dia 11 de junho, a convocação de AGE (assembleia geral extraordinária) para deliberar sobre a destituição de Stieler do cargo de membro do conselho de administração, além da indicação de José Mauricio Pereira Coelho como membro do Conselho de Administração.Em 6 de julho, cinco dias antes da assembleia que discutiria sua demissão, Stieler renunciou.A ISS (Institutional Shareholder Services), maior consultoria de voto corporativo do mundo, entregou seu parecer sobre a assembleia extraordinária da Vale marcada para 22 de julho. No documento, a empresa recomenda que os investidores institucionais votem contra praticamente tudo o que a Previ pediu.Segundo um documento que registra a posição da ISS, obtido pela CNN, Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, o Ollie,— o candidato que a própria Previ queria colocar na presidência — se absteve na recomendação do conselho sobre rejeitar a demissão de Stieler.Companhia que serve como um balizador e uma analista para os acionistas da Vale, a empresa recomendou voto a favor da candidata da administração, Ieda Gomes Yell, e a abstenção para o candidato da Previ, José Mauricio Pereira Coelho, que já presidiu o conselho entre 2019 e 2021.Para a presidência, as indicações da ISS: apoio a Marcelo Gasparino da Silva, atual vice-presidente independente, e abstenção para Oliveira, o nome da Previ.A empresa aponta que, em nenhum dos casos a Previ apresentou dado, indicador ou fato concreto que sustentasse a mudança.Dois conselheiros não-independentes também se abstiveram.Sobrou Marcio Antonio Chiumento, que votou a favor da demissão e da chapa da Previ. Chiumento tem uma particularidade: ele é, ao mesmo tempo, conselheiro da Vale e presidente da Previ.A Previ é ligada ao Banco do Brasil, controlado pela União. Foi acionista controladora da Vale via Valepar até 2020, quando a empresa passou a ter capital disperso.No documento em que argumenta contra a indicação do candidato da Previ, o ISS cita que o jornal britânico Financial Times noticiou, no dia 7 de julho, que o mercado já enxerga risco de o governo federal usar a Previ como instrumento de influência sobre a mineradora.Esta não é a primeira rodada dessa disputa — é a mais recente de uma série.Desde o início do governo Lula, o Planalto vem tentando ampliar sua influência sobre o conselho da mineradora, privatizada em 1997 e hoje sem acionista controlador definido.As tentativas anteriores incluíram a indicação do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e do ex-presidente do Banco do Brasil Paulo Caffarelli para a presidência da empresa — ambas frustradas.A Previ mantém duas cadeiras no conselho da Vale.Uma é a de Stieler, indicado durante o governo de Jair Bolsonaro, próximo ao senador Flavio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, e que já presidiu o próprio fundo de pensão antes de ir para a Vale.Vale anuncia renúncia imediata de presidente do Conselho | MONEY NEWSMinerais críticos podem elevar PIB do país em R$ 243 bi até 2050