O Xiaohongshu, conhecido internacionalmente como RedNote, consolidou-se como uma das principais plataformas digitais da China ao unir compartilhamento de imagens, vídeos e recomendações de estilo de vida. O aplicativo passou a influenciar diretamente escolhas de viagem e negócios ligados ao turismo para quem deseja visitar o país asiático.Com mais de 350 milhões de usuários ativos mensais em 2025, a rede social ganhou destaque após receber usuários do TikTok nos Estados Unidos em meio às discussões sobre uma possível restrição ao aplicativo no país. Ao mesmo tempo, ampliou sua presença no turismo chinês ao impulsionar destinos e experiências divulgados por seus próprios usuários.O crescimento da plataforma ocorre enquanto o Xiaohongshu se prepara para uma possível abertura de capital na Bolsa de Hong Kong ainda em 2026. O movimento reforça a expansão de um serviço que se tornou referência para jovens viajantes em busca de lugares, comidas e atividades recomendadas por outros internautas.Veja como criar uma conta e dicas de uso do RedNote clicando aqui.Como o Xiaohongshu virou ferramenta de descoberta para turistas chinesesCidade Proibida: nome do antigo palácio imperial chinês, localizado no centro de Pequim – (Reprodução: Ling Tang/Unsplash)Criado como uma plataforma voltada a conteúdos de estilo de vida, o Xiaohongshu passou a ocupar um espaço semelhante ao de um catálogo digital de experiências. Usuários publicam fotos, vídeos e transmissões ao vivo, criando uma rede de recomendações que influencia decisões sobre onde visitar, comer e fotografar.Um dos efeitos mais visíveis dessa transformação aparece nos chamados pontos “daka”, locais considerados paradas obrigatórias por visitantes em busca de registros fotográficos. Em Shichahai, área histórica de Pequim, o movimento cresceu com turistas interessados em reproduzir imagens compartilhadas na plataforma.O aumento da procura também modificou atividades econômicas locais. Fotógrafos passaram a oferecer retratos com trajes tradicionais para visitantes que desejam publicar as imagens no aplicativo. Em uma visita recente ao local, a fotógrafa Li Geng, de 18 anos, cobrava 10 yuans por retrato, enquanto outros profissionais disputavam clientes usando a própria audiência conquistada na rede social.Em entrevista a AFP, Li fala que a concorrência entre fotógrafos tornou-se intensa porque alguns profissionais possuem grande número de seguidores no Xiaohongshu e conseguem atrair clientes por meio da plataforma. Um concorrente citado por ela reunia 45 mil seguidores e praticava valores menores.O impacto do aplicativo acompanha o crescimento do turismo interno chinês. Dados da agência Xinhua indicam que o país registrou 6,5 bilhões de viagens domésticas em 2025, número 16% superior ao registrado no ano anterior.Grande Muralha da China (Imagem: HelloRF Zcool/Shutterstock)No mesmo período, a base de usuários do Xiaohongshu passou de 300 milhões, em 2024, para 350 milhões de usuários ativos mensais em 2025, conforme informações da empresa de análise de dados Qiangua.A influência da plataforma também levou visitantes a cidades que antes tinham menor destaque turístico. Um exemplo citado é Zibo, na província de Shandong, que ganhou projeção após vídeos sobre seus espetinhos de churrasco baratos e marinados viralizarem na rede.A estudante Mina Chen, de 20 anos, utilizou recomendações publicadas por outros usuários para organizar uma viagem a Pequim com a irmã. “Hoje, ele é indispensável para mim”, afirmou a turista em entrevista à AFP, ao explicar a importância do aplicativo no planejamento de seus passeios.Para Ming Yii Lai, consultora sênior de estratégia da Daxue Consulting, o Xiaohongshu se tornou uma das principais fontes de inspiração para jovens viajantes. A especialista destacou à AFP que muitos deles recorrem primeiro à plataforma quando procuram ideias de destinos.Apesar do crescimento, a popularização de locais divulgados no aplicativo também trouxe desafios. O aumento repentino de visitantes em determinados pontos e a dependência de empresas em relação ao alcance da rede social passaram a ser apontados como efeitos negativos dessa influência.Além disso, recomendações patrocinadas por restaurantes e destinos turísticos geraram críticas quando a experiência encontrada pelos visitantes não correspondeu às expectativas criadas pelas publicações.A projeção internacional do RedNote ganhou força em 2025, quando usuários norte-americanos migraram para a plataforma durante a possibilidade de bloqueio do TikTok nos Estados Unidos. O movimento levou esses novos usuários a serem chamados de “refugiados” do aplicativo chinês.Imagem do aplicativo RedNote no Google Play Store – Imagem: Reprodução/Google Play StoreFora da China, a rede também passou a atrair falantes de mandarim em países como Malásia e Singapura. O aposentado singapurense Ernest Phua relatou à AFP que utilizou o aplicativo para planejar viagens a Cantão e Yunnan, buscando informações em chinês sobre estratégias de viagem e recomendações locais.De acordo com Phua, a plataforma permite conhecer aspectos cotidianos da China a partir da visão dos próprios moradores. “Se queremos saber como é realmente a vida na China e descobrir o que os moradores gostam de fazer, comer e visitar, o Xiaohongshu tem muito conteúdo”, afirmou o aposentado à agência francesa.A influência do aplicativo chegou até detalhes de experiências pessoais. Meng Jiaxuan, de 20 anos, contou à AFP que pesquisou no Xiaohongshu até mesmo as poses utilizadas em uma sessão de fotos com roupas tradicionais. Segundo ela, a plataforma se tornou sua principal ferramenta de busca para diferentes assuntos.Além da expansão de usuários, o Xiaohongshu se prepara para uma oferta pública inicial de ações na Bolsa de Hong Kong. A operação, segundo veículos como o The Wall Street Journal, deve ser apresentada de forma confidencial, enquanto a empresa ainda não comentou oficialmente a informação.O post Entenda como o “Instagram chinês” atraiu estrangeiros e fez o turismo da China explodir apareceu primeiro em Olhar Digital.