Fraude bilionária no ICMS começava pela venda de créditos inexistentes

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As investigações da Operação Distrato, deflagrada na manhã desta quarta-feira (15/7) pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira/SP), revelaram que o esquema bilionário de sonegação de impostos tinha como ponto de partida a venda de créditos inexistentes.Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), escritórios de advocacia e consultoria ofereciam a empresas paulistas a possibilidade de pagar menos Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) através da compra de créditos tributários vendidos com desconto. Leia também São PauloVeja mansão de suspeito de envolvimento em fraude bilionária no ICMS São PauloQuem são advogados e empresas suspeitos de fraude bilionária no ICMS São PauloQuem é Nelson Wilians, advogado alvo em esquema de fraudes no ICMS São PauloAdvogados são alvo de operação por fraude de R$ 3,8 bilhões no ICMS Esses créditos eram apresentados pelos intermediários como se tivessem autorização da Secretaria da Fazenda. Após aderir ao esquema, a empresa deixava de pagar o ICMS ao Estado e repassava aos intermediadores uma comissão que podia atingir o valor de 70% do imposto “economizado”.As investigações apontaram que os tais créditos negociados estavam ligados a empresas que estavam sem condições de operar, falidas ou com operações comerciais consideradas fictícias. Para criar uma aparência de legalidade, o grupo suspeito utilizava contratos, procurações, apólices de seguro e documentos falsos atribuídos à própria administração tributária.Parte do dinheiro com destino aos cofres públicos acabava nas mãos nos integrantes do esquema. No total, foram identificadas infrações em 752 empresas e o montante sonegado supera os R$ 3,8 bilhões. A operação cumpre 38 mandados em São Paulo, Campinas, Jundiaí e Ribeirão Preto, além das cidades paranaenses de Londrina e Cambé.Advogado alvo também foi investigado na Fraude do INSSO advogado Nelson Willians, que já foi investigado por envolvimento na Fraude do INSS revelada pelo Metrópoles, é um dos alvos investigados na operação deflagrada nesta quarta-feira (15/7) pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira/SP).Nelson é dono de um grande escritório de advocacia e é conhecido nas redes sociais por mostrar uma rotina de luxo, com mansões, avião, carros de luxo e viagens. Em setembro do ano passado, a casa e o escritório do advogado foram alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal no âmbito da Operação Cambota, segunda fase da Operação Sem Desconto, sobre o esquema de descontos indevidos em aposentadoriasO Metrópoles entrou em contato com a assessoria de Nelson Wilians e aguarda retorno. A reportagem está aberta para atualizações.