Embora não faça parte da chapa eleitoral de Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tem André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP) como pré-candidatos ao Senado por São Paulo, o deputado federal Ricardo Salles (Novo) promete “embolar” essa disputa na direita. Bem colocado nas pesquisas, o parlamentar aposta em desgastar os concorrentes — inclusive do mesmo campo político — e em acenos ao público do agronegócio, com quem tem compromissos nesta semana.No Datafolha da semana passada, Salles marcou 13% das intenções de voto, menos que os 18% de Marina Silva (Rede) e os 16% Simone Tebet (PSB), mas à frente de Prado e Derrite, com 11% e 10%, respectivamente. A margem de erro é de dois pontos percentuais. A “candidatura tripla” ao Senado, segundo especialistas e políticos, pode provocar uma dispersão de votos no eleitorado conservador e acabar favorecendo as candidatas do campo progressista.A despeito da pequena estrutura partidária e de um certo isolamento na direita, o ex-ministro do Meio Ambiente de Jair Bolsonaro organizou uma série de agendas no interior de São Paulo. Na segunda-feira (13), após o café da manhã em casa, no bairro nobre do Jardim América, Salles pegou estrada e foi a Ribeirão Preto (SP) para um almoço com representantes do agronegócio. Os encontros locais seguem até quarta-feira. Na sexta, ele retorna à cidade para um jantar com a presença do presidenciável Romeu Zema (Novo).Leia tambémQuaest: 42% concordam mais com Michelle em briga com Flávio após vídeos divulgadosPara Felipe Nunes, presidente da Quaest, pesquisa mostra que atrito com Michelle pode ter contribuído para afastamento do eleitorado na campanha de Flávio BolsonaroQuaest: Lula vai a 45% e abre 8 pontos para Flávio Bolsonaro no 2º turnoDesde o anúncio de possíveis novas sanções ao Brasil pelos EUA, Lula abriu doze pontos de vantagem no 1º turno em relação a Flávio– Eu tenho um apoio grande do interior, pessoal do agro, nos mais diversos setores. Tem a turma da pecuária, pessoal da soja, da cana-de-açúcar e tal, do setor sucroenergético. Todos me ajudam bastante. São vários grupos conservadores de direita espalhados pelo interior do Estado – diz o deputado, eleito em 2022 com 640 mil votos, o quarto mais votado do estado.Ao mesmo tempo, Salles mantém duras críticas à escolha de Prado, por parte de Tarcísio, para fazer a dobradinha da direita na disputa ao Senado — junto com Derrite, que é ex-secretário da Segurança Pública paulista. Prado é presidente da Assembleia Legislativa (Alesp) e favorito do governador para ficar com uma das duas vagas paulistas. Nos bastidores, diz-se que Salles que fazer uma “chapa informal” com Derrite, apostando em pautas da direita ideológica.– Ao contrário de outros que surgiram aí, eu sou de direita. Estou nisso há 20 anos. Isso é uma vantagem que eu tenho sobre qualquer outro nome que queira navegar no campo da direita, principalmente o André do Prado, que não é de direita e nunca foi. O André do Prado, primeiro, é filhote do Valdemar Costa Neto (PL). É o típico representante do centrão – diz Salles.O ex-ministro pretende aproveitar seu alcance nas redes sociais — tem 1,1 milhão de seguidores apenas no Instagram — para “carimbar” no presidente da Alesp essa pecha de “centrão”.– A hora que você mete um carimbo de centrão no André do Prado, que é um carimbo justo, não é um rótulo equivocado, não é forçar barra, não é nada disso… Se tem um candidato nesse pleito, que é o centrão cuspido e escarrado, é o André do Prado. O cara se juntou ao PT para virar presidente da Assembleia – afirma Salles.Valdemar Costa Neto, procurado, não quis comentar as falas de Salles. Já Prado enviou uma nota à reportagem. “Salles tem dedicado mais tempo a me atacar do que a apresentar propostas para São Paulo. Respeito sua trajetória e o direito ao debate político, mas os fatos são claros. A chapa apoiada pelo presidente Jair Bolsonaro (…) é formada por André do Prado e Guilherme Derrite. É importante lembrar que Salles foi eleito deputado federal com o apoio decisivo do presidente Jair Bolsonaro e de sua família. Por isso, causa estranheza que hoje adote uma postura de confronto e ataques, inclusive direcionados a lideranças que foram fundamentais para sua trajetória política”, diz o texto.No entorno de Tarcísio, a ordem é “ignorar Ricardo Salles”, pelo menos por ora. Para um aliado próximo, não é do perfil do governador promover ataques pessoais, o que não é descartado por meio de terceiros. Já um deputado tarcisista da Alesp afirma que o governador vai se empenhar apenas para eleger Prado, deixando “Derrite e Salles disputarem”, o que é desmentido por quem atua próximo de Tarcísio.Marina e Tebet ‘forasteiras’Salles também aposta em desgastar Tebet e Marina, e para isso recorre ao mesmo argumento “anti-forasteiro” usado contra Tarcísio em 2022 e agora replicado pelo próprio governador contra as candidatas ao Senado.– Eu sou paulista e não gosto, não acho legal, ter duas candidatas que não são de São Paulo, que estão vindo aqui simplesmente de forma oportunista querer alavancar suas carreiras políticas em detrimento da representação do estado. Ou alguém acredita que a Marina e a Simone vão defender São Paulo diante do xadrez federativo? O caso da Simone é ainda mais grave, porque o Mato Grosso do Sul tem forte guerra fiscal contra São Paulo. Várias empresas paulistas, principalmente da área de piscicultura, foram paro Mato Grosso do Sul por guerra fiscal. Você acha que numa eventual disputa de questões federativas a Simone vai ficar do lado de quem? – diz Salles.– O ideal era que a gente não tivesse um governador carioca, mas um governador que fosse paulista. Isso é fato. Mas, por outro lado, o Tarcísio não tinha uma carreira política em outros estados. Ele era um militar do Rio, que morava em Brasília, ele morou em vários lugares do Brasil e fora, inclusive no Haiti. Em que pese não ser paulista de nascimento, ele iniciou a sua carreira política em São Paulo. Quando eu falo que elas não são de São Paulo, não estou falando só de nascimento – completa.Procuradas, Marina e Tebet não comentaram as declarações.Para Salles, a força de Tarcísio, que lidera as pesquisas na corrida para a reeleição à frente de Fernando Haddad (PT), não é sinônimo de votos garantidos para seus candidatos ao Senado, pois, na sua avaliação, a “máquina não elege automaticamente”.– O Tarcísio acredita até que o André vai ter mais votos do que o Derrite, por exemplo. É que o Tarcísio tem uma opinião típica de candidato de centro, que é acreditar que a máquina elege. A máquina não elege. Se elegesse, o Rodrigo Garcia teria ganhado dele, Tarcísio. Não é mais assim. As pessoas hoje, com rede social, com Instagram, com tudo isso, já têm um senso crítico muito aguçado – diz Salles.Já outro parlamentar, que apoia Prado, avalia que a entrada de Salles na disputa vai atrapalhar os planos da chapa estadual e que o ex-ministro deveria se candidatar a outro posto, como à reeleição ou mesmo à Alesp, o que é rejeitado pelo pré-candidato ao Senado.– Eu detestei ser deputado federal. Primeiro, você não tem relevância nenhuma. Se você não for da patotinha ali no teu partido, é pior ainda. É uma vida super sacrificada pegar o avião toda semana para Brasília. O senador faz isso também, mas, pelo menos, você tem uma relevância – diz.The post Rejeitado na chapa, Salles aposta no agro e em desgastar candidato de Tarcísio appeared first on InfoMoney.