Quatro libaneses foram presos em São Paulo durante a Operação Hawala, deflagrada nesta quarta-feira (15/7) pela Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Ministério Público do estado (MPRJ), por suspeita de liderar um grupo investigado por prestar serviços às facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC), Terceiro Comando Puro (TCP) e Comando Vermelho (CV).Segundo as investigações, o grupo pode ter lavado mais de R$ 100 milhões em dinheiro oriundo do tráfico de drogas utilizando lojas de venda de celulares e outros produtos irregulares localizadas na região da central da capital paulista.A ação policial foi realizada no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Foz do Iguaçu, no Paraná. A Justiça expediu 10 mandados de prisão e 37 de busca e apreensão contra os investigados. Além disso, medidas de bloqueio de ativos financeiros, indisponibilidade de bens e participações societárias foram determinadas nas ordens judiciais.O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou 22 pessoas por envolvimento com o estruturado esquema de lavagem de dinheiro.Segundo a delegada Lorena Rocha, da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), no Rio de Janeiro, o grupo investigado usou dezenas de empresas, entre os anos de 2021 e 2024, para dissimular valores obtidos com tráfico de drogas, receptação qualificada e comércio de produtos falsificados.“Tudo começou na apuração da venda de produtos ilegais no Rio de Janeiro e culminou nessa descoberta que usava lojas no Centro de São Paulo para lavar dinheiro”, explicou a delegada.Em São Paulo, três irmãos de origem libanesa são, conforme a polícia, apontados como os responsáveis por lavar dinheiro para as facções na Tríplice Fronteira (Brasil-Paraguai-Argentina). São eles: Reda Zayoun, Yasser Zayoun e Kassem Zayoun. O quarto preso é Ali Alfakih, cuja participação ainda não foi esclarecida pela polícia.Durante as investigações, a polícia identificou que o grupo é ligado a um indivíduo sancionado pelo governo dos Estados Unidos. Autoridades norte-americanas apontam tal pessoa como a responsável pela estrutura de financiamento da Al-Qaeda. A Polícia Civil do Rio de Janeiro apura a ligação da organização terrorista com as facções brasileiras.O Metrópoles tenta localizar a defesa dos presos. O espaço está aberto para manifestações. Leia também Mirelle PinheiroElo com Al-Qaeda: esquema de R$ 100 milhões abastecia TCP, CV e PCC São PauloFraude bilionária no ICMS começava pela venda de créditos inexistentes São PauloVeja mansão de suspeito de envolvimento em fraude bilionária no ICMS São PauloQuem são advogados e empresas suspeitos de fraude bilionária no ICMS O grupo investigado usava diferentes mecanismos para dificultar o rastreamento dos recursos. Entre eles, a criação de empresas de fachada, transferências sucessivas entre pessoas jurídicas, depósitos fracionados em dinheiro, utilização de pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas”, e movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.A análise das operações financeiras contou com o apoio do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD), que identificou indícios de incompatibilidade entre a movimentação das empresas e suas atividades econômicas.