Xbox vai 'desmoronar': Funcionários falam sobre demissão em massa na parte de games da Microsoft

Wait 5 sec.

Após a mais recente rodada de demissões no Xbox, que resultará no desligamento de 3.200 funcionários, relatos anônimos de ex-colaboradores de estúdios como Bethesda, ZeniMax e id Software pintam um cenário preocupante para o futuro da divisão de games da Microsoft. Lembrando que esta é a quinta onda de cortes em massa desde 2023.As demissões foram confirmadas internamente pela CEO do Xbox, Asha Sharma, por meio de videochamadas breves com as equipes dos respectivos estúdios. Em ao menos um caso, na id Software, onde 136 pessoas foram desligadas, a reunião de comunicado teria durado menos de 60 segundos, com microfones silenciados e sem espaço para perguntas.Diversas fontes, que preferiram permanecer anônimas por receio de represálias, descreveram o processo como "estranhamente contraproducente e desnecessariamente cruel" — e afirmam que o impacto nos estúdios pode ser mais profundo do que a Microsoft reconhece publicamente.Microsoft tentou "transferir o máximo possível" da responsabilidade pelas demissões aos sindicatosSegundo relatos de funcionários afetados, a Microsoft teria tentado repassar aos sindicatos a maior parte da responsabilidade pelo gerenciamento da situação — mesmo sem tê-los informado previamente sobre os cortes. As preocupações surgiram depois que o Bloomberg publicou, em junho, uma reportagem apontando corretamente que uma nova reestruturação estava a caminho, mas os representantes sindicais afirmam que não receberam qualquer aviso formal da empresa."Muitos de nós não sabíamos o que estava acontecendo durante semanas", disse uma das fontes. "Os superiores não sabiam ou não disseram nada. Ficou por nossa conta especular, entrar em pânico e nos preocupar".Logo após o anúncio das demissões, o acesso ao Slack e aos e-mails internos foi bloqueado em até 48 horas, deixando os demitidos sem canais oficiais para buscar informações. A situação foi agravada por uma orientação da chefia: os funcionários afetados que precisassem de esclarecimentos foram instruídos a enviar mensagens para um endereço de e-mail interno — o mesmo que havia acabado de ser revogado para eles.Isso forçou muitos a recorrer a canais não oficiais, em grande parte supervisionados pelos próprios sindicatos que a Microsoft supostamente tentava acionar como intermediários sem o devido alinhamento prévio.Fonte que trabalhou em The Elder Scrolls afirma que a Microsoft lidou de forma "insana" com as demissõesUma fonte que trabalhou por anos na ZeniMax Online Studios, desenvolvedora de The Elder Scrolls Online, descreveu a condução das demissões como "insana". O sentimento é compartilhado por outros afetados em diferentes estúdios da Microsoft."A Microsoft se importa? Absolutamente não. E parece que eles realmente se esforçam para tornar a situação o mais dolorosa possível", afirmou uma fonte ligada à id Software. "A Microsoft obviamente abandonou todos os membros do sindicato que foram demitidos, mas também abandonou aqueles que não eram sindicalizados".Um funcionário da Bethesda admitiu que Sharma tentou justificar publicamente os cortes, mas afirmou que ela "falhou em grande parte nesse aspecto". A forma como as demissões estão sendo implementadas também levanta dúvidas sobre o ambiente de trabalho dos que permanecem."Não sei como alguém que ainda trabalha nos estúdios do Xbox pode se sentir seguro sabendo que outros 1.600 cortes estão por vir. E mesmo assim, o que acontece depois de junho de 2027? Teremos demissões em julho pelo terceiro ano consecutivo?", questionou uma das fontes.Não há "benefícios" em pertencer à Microsoft, segundo relatosUma fonte da id Software questionou a lógica da Microsoft ao demitir parte do estúdio um dia antes do lançamento de uma expansão de Doom: The Dark Ages, sem aguardar qualquer avaliação de desempenho do jogo. "Eles nem esperaram para ver se o produto era bem-sucedido antes de se livrarem da equipe. Não há benefícios em ser propriedade da Microsoft. Na verdade, eles destruíram uma quantidade imensa de valor da qual eu acho que nem sequer têm consciência", afirmou.O caso da id Software é especialmente simbólico. A Bethesda havia celebrado publicamente o lançamento de Doom: The Dark Ages como o maior da história do estúdio, com mais de 3 milhões de jogadores. Um ano depois, os responsáveis pelo jogo foram demitidos. "Parece que lançamos um bom produto, mas ele não tem efeito nenhum na nossa longevidade no setor", disse uma fonte.Na ZeniMax Online Studios, a situação é descrita como igualmente crítica. Uma fonte explicou que a perda de especialistas pode comprometer estruturalmente a produção dos jogos e destacou que o motor gráfico proprietário do estúdio exige cerca de seis meses de treinamento para ser dominado — conhecimento que saiu pela porta junto com os demitidos.A Microsoft, por sua vez, negou que a equipe da id Tech tenha sido reduzida a apenas uma pessoa no Texas, afirmando que "há dezenas de pessoas trabalhando na id Tech em diversos locais". No entanto, as fontes ouvidas apontam que os cortes foram profundos o suficiente para comprometer a continuidade do motor gráfico proprietário do estúdio.O que você acha das recentes demissões no Xbox? Conta pra gente nas redes sociais do Voxel!