Educação política passará a integrar currículo escolar; saiba mais

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Uma nova lei publicada nesta terça-feira (14) no Diário Oficial da União inclui a educação política e direitos da cidadania como componentes curriculares obrigatórios na educação básica. As normas alteram a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) e também criam a Semana Nacional da Ética e da Cidadania.Com isso, os estudantes passarão a ter acesso a conteúdos voltados à compreensão da organização da sociedade, do exercício da cidadania e da participação democrática. Leia mais 54% dos graduandos dizem ter abandonado a faculdade para cuidar dos filhos Estudo revela que 64 milhões de brasileiros não concluíram ensino básico Inscrições para o Fies do segundo semestre começam nesta terça-feira (14) De acordo com Daniel Cara, professor da Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo), a medida cumpre um papel importante dentro das escolas.“O valor pedagógico desse debate é tanto ensinar para o exercício da cidadania quanto a preparação para a vida. Estimular a participação política rumo a um país desenvolvido, próspero economicamente, justo socialmente e sustentável em termos ambientais”, afirma o especialista.Educação já é políticaSegundo o educador, debater educação política nas salas de aula é “essencial”. No entanto, já deveria ser uma pauta implementada nas disciplinas de Filosofia e Sociologia. “A questão é que a Reforma do Ensino Médio desconstruiu toda a área de Ciências Humanas e deixou a LDB caótica”, explica Daniel Cara.“A BNCC (Base Nacional Comum Curricular) é falha, propositalmente, na questão da educação política. Deveria ser um tema aprofundado em Sociologia e Filosofia, além de ser abordado em História e Geografia. O melhor caminho, portanto, seria uma revisão da LDB, que é falha em quase todas as áreas e já deveria ser revista”, defende o educador.Política no Ensino MédioApesar de a medida ser destinada ao ensino básico, é possível que a implementação do debate se restrinja ao período do Ensino Médio. No entanto, Daniel Cara defende que a temática seja abordada após o 8º ano do Ensino Fundamental.“O estudo da realidade social e política deveria ser abordado no Ensino Médio, de modo objetivo, dentro do currículo de Filosofia e Sociologia, que idealmente deveriam começar no 8.º ano do Ensino Fundamental”, diz o especialista.Ideologia nas escolasPor vezes, estimular o pensamento crítico dentro das salas de aula reverbera de forma negativa. Apesar de estes componentes curriculares carregarem um papel social de desenvolvimento para os jovens estudantes, medidas como essa podem ser associadas a uma determinada formação ideológica dentro das escolas.No entanto, Daniel Cara reforça que, para que isso não ocorra, é preciso valorizar as disciplinas que formam docentes para estimular debates políticos de forma educativa.“Certamente há esse risco, por isso, deveria estar sob a égide da sociologia e da filosofia, que possuem a estruturação de um curso de licenciatura que forma os professores para não doutrinarem”, explica o educador.Livros que ajudam a compreender a geopolítica das guerras