A curva de juros brasileira deve continuar incorporando mais prêmio de risco diante das incertezas eleitorais, da inflação ainda pressionada e da volatilidade dos juros nos Estados Unidos, avalia o Morgan Stanley. Em relatório recente sobre o Brasil, o banco recomenda posição aplicada no contrato de DI com vencimento em janeiro de 2029, com alvo de taxa de 15%.Na avaliação da instituição, apesar do ciclo de cortes da Selic, o mercado ainda deve exigir uma remuneração maior para carregar posições em juros diante dos riscos para o cenário macroeconômico.Entre os fatores que podem pressionar a curva estão as incertezas relacionadas ao cenário político-eleitoral, a possibilidade de novas medidas de estímulo à economia, a evolução das expectativas de inflação para 2027 e 2028 e a volatilidade das taxas de juros nos Estados Unidos após as decisões do Federal Reserve.Para o Morgan Stanley, o Banco Central deixou claro que seguirá avaliando os próximos dados econômicos antes de definir os próximos passos da política monetária, mas não fechou completamente a porta para novas reduções da Selic.Selic deve permanecer elevada por mais tempoA instituição espera que o Banco Central mantenha a Selic em 14,25% ao ano durante boa parte de 2026, retomando o ciclo de cortes apenas no fim do ano.A projeção do Morgan Stanley é de que a taxa básica termine 2026 em 14% e encerre 2027 em 11%.Segundo o banco, o espaço para cortes adicionais no curto prazo ficou mais limitado após a alta das expectativas de inflação e a avaliação mais positiva sobre a atividade econômica.O Banco Central elevou sua projeção de inflação para o quarto trimestre de 2027, de 3,5% para 3,7%, além de destacar novos riscos de alta para os preços, como impactos climáticos sobre alimentos e energia e estímulos que podem fortalecer a demanda.Morgan Stanley reduz projeção para PIB de 2027Além da visão sobre juros, o Morgan Stanley revisou para baixo sua projeção de crescimento da economia brasileira em 2027.O banco passou a estimar alta de 1,2% para o PIB no próximo ano, contra previsão anterior de 1,6%. Para 2026, a expectativa foi mantida em crescimento de 2%.A instituição avalia que a economia deve continuar resiliente neste ano, sustentada pelo mercado de trabalho, medidas de crédito e estímulos fiscais. No entanto, os efeitos desses impulsos devem perder força ao longo do tempo.Entre os fatores que devem pesar sobre a atividade em 2027 estão os juros ainda restritivos, o aumento do endividamento das famílias, a inflação elevada e uma redução do impulso fiscal.Estímulos sustentam atividade no curto prazoSegundo o Morgan Stanley, medidas anunciadas pelo governo representam cerca de 1,3% do PIB e podem chegar a 2,1% caso todas as propostas sejam aprovadas.O banco cita iniciativas como expansão de crédito, programas de renegociação de dívidas, financiamento habitacional, incentivos ao agronegócio e medidas de transferência de renda.Apesar do suporte, a instituição afirma que indicadores antecedentes, como confiança de consumidores, empresas e serviços, já apontam para uma desaceleração da economia a partir do fim de 2026.