Promessa descumprida durante três anos e meio do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o fim da fila do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) deve, finalmente, ser alcançado até o fim deste ano. A perspectiva de acabar com essa espera em ano eleitoral se torna uma das principais bandeiras do presidente Lula na campanha à reeleição em 2026.O governo considera como fila aqueles pedidos que permanecem em análise por mais de 45 dias. Segundo dados do Ministério da Previdência Social, esse estoque caiu cerca de 70% de janeiro a junho de 2026. O ritmo verificado nesse período, porém, levou o governo a acreditar que o fim da fila pode chegar antes mesmo do pleito de outubro, ainda em setembro deste ano.Nos bastidores da Previdência, integrantes do ministério apontam o PGB (Programa de Gerenciamento de Benefícios) como um dos principais responsáveis por essa redução. Leia Mais Nova presidente do INSS diz que fila de requerimento é de menos de 1 milhão Instituto Nacional de Seguro Social: o que faz o INSS? Entenda PF indicia ex-presidente do INSS, “Careca” e outros em inquérito Para evitar que a fila volte a crescer e o tema se transforme novamente em um desgaste político, uma ala do governo defende, inclusive, a prorrogação do PGB em 2027. A avaliação é que, sem o bônus, a fila pode voltar a crescer.Em 2026, o PGB custou R$ 300 milhões para a pasta. Outra alternativa ao programa seria contratar mais servidores e peritos.Segundo integrantes da Previdência, ao todo, seis medidas explicam por que a redução da fila só ganhou tração em 2026:Contratação de novos peritos: o INSS recebeu 500 novos peritos médicos federais para reforçar o atendimento aos segurados. Foram quase 15 anos sem concurso público para a área.Ampliação do quadro de assistentes sociais: ao todo, 300 assistentes foram nomeados após aprovação no CNU (Concurso Nacional Unificado).PGB: o programa está previsto em um projeto de lei que foi sancionado pelo presidente Lula em setembro de 2025. O projeto prevê bônus para os servidores que realizam atividades para além da capacidade habitual. Podem participar do programa os servidores do INSS, com bônus de R$ 68, e os peritos, com bônus de R$ 75 por processo. O programa tem prazo de duração de 12 meses e pode ser prorrogado uma única vez, desde que a vigência não ultrapasse a data de 31 de dezembro de 2026.Expansão da teleperícia: ao todo, o país conta com 800 salas de perícia, onde o perito atende o cidadão de forma remota, via internet.Realização de mutirões: foram realizados 200 mil mutirões de atendimento no começo de 2026. A meta da pasta é chegar a 500 mil até o final deste ano. Em 2025, esse número foi de 178 mil.Ampliação do AtestMed: o sistema permite que o segurado solicite o benefício pela internet, sem a necessidade de passar por uma perícia médica presencial. Segundo o Ministério da Previdência, o tempo médio de espera no AtestMed é de sete dias, contra 20 dias no modelo tradicional.Na avaliação do governo, a combinação dessas seis medidas permitiu acelerar a análise dos pedidos, o que pode, enfim, levar ao fim da fila do INSS em 2026. O desafio, agora, é preservar o resultado. Nos bastidores, a avaliação é que a prorrogação do PGB é o ponto fundamental para evitar que a fila de processos volte a crescer e que o tema volte a incomodar politicamente o governo.Lula deve usar fila zerada do INSS em campanha eleitoral | BASTIDORES CNN