O mercado global de smartphones segue sofrendo as consequências da falta de chips de memória e o aumento nos preços desses componentes. De acordo com a Counterpoint Research, o setor segue pessimista em relação aos próximos meses, na medida em que a crise está cada vez mais instaurada na indústria.O segundo trimestre de 2026 no segmento registrou os piores números em 13 anos, com uma queda de 11% no número de vendas globais. Os motivos para o desempenho são vários dentro do contexto atual: além da crise de memórias que eleva os custos de fabricação, há também o menor número de lançamentos e a alta de preços para o consumidor, além da própria cautela do consumidor no atual momento."Esse cenário coincidiu com uma pressão macroeconômica mais ampla, caracterizada por crescimento global mais lento, inflação mais alta e níveis historicamente baixos de confiança do consumidor — fatores que afetaram mais severamente os compradores sensíveis a preços", diz Shilpi Jain, analisa da Counterpoint.O desempenho das fabricantesA análise reforça conclusões de outros institutos de pesquisa sobre a crise de chips de memória, confirmando que os segmentos de entrada e intermediário são os mais afetados. Esses aparelhos tendem a operar sob margens mais reduzidas de lucro, agora prejudicadas pelo maior gasto com componentes.Dessa forma, por trazerem mais retorno às marcas mesmo sob um menor volume de vendas, os dispositivos premium devem ser priorizados em estoque e estratégia de lançamento por muitas dessas companhias.O ranking de fabricantes que mais enviou celulares para venda no segundo trimestre de 2026 é o seguinte:1. Samsung — 24%2. Apple — 20%3. Xiaomi — 12%4. Oppo — 11%5. vivo (Jovi no Brasil) — 8%Soma das demais fabricantes — 26%A Samsung recuperou a posição mais alta do pódio depois de uma disputa acirrada com a Apple e foi a companhia que mais cresceu no período. Os motivos incluem menor alta de preços, promoções pontuais e o top de linha Galaxy S26 Ultra sendo o destaque em meio aos modelos atuais.A Apple também apresentou crescimento (3% no geral) e conseguiu evitar um aumento de preço no trimestre, deixando o anúncio para o período seguinte. A linha iPhone 17 segue com vendas sólidas, apesar de um mercado ainda reduzido na China.A diferença na divisão de mercado do segundo trimestre de 2025 para este ano. (Imagem: Divulgação/Counterpoint)As outras três integrantes do top 5 registraram quedas de ao menos 10% nas vendas por causa da instabilidade do mercado. Apesar de reduzir a diferença para a Oppo, a Xiaomi conseguiu manter a posição pelo bom desempenho de famílias como a Xiaomi 17 e a Redmi Note 15.Das companhias não citadas nominalmente, Google e Huawei tiveram um crescimento significativo e na contramão da indústria no período, muito pelo sucesso de lançamentos pontuais.Como está o ranking de marcas que mais vendem celulares no mercado brasileiro? Saiba a resposta nesta matéria!