Foto: Gabriel LeiteNatural de Guará-SP, Carlos Gilberto Rangel encontrou na arte o caminho que escolheu seguir por toda a vida. Pintor, artista plástico, cartazista e autodidata, construiu uma trajetória marcada pela criatividade, deixando seu trabalho registrado em diversos espaços de Mirandópolis e de outras cidades da região. Atualmente, também integra o Conselho Municipal de Cultura, onde atua em projetos voltados ao incentivo das artes plásticas e visuais. Confira na sequencia sua história de vida e sobre sua carreira artística.Como foi sua infância?Nasci em Guará, em 1952, mas minha infância foi no Paraná. Minha família foi para lá trabalhar na lavoura de café. Era uma vida bem simples, onde eu praticamente só conhecia a roça. Gostava de pescar, caçar, andar de bicicleta e viver naquele ambiente.Quando a arte entrou na sua vida?Desde criança eu gostava de desenhar. Na escola sempre me chamavam para fazer capas de trabalhos, desenhos e cartazes. Tudo era feito com lápis de cor ou guache. A arte foi surgindo naturalmente na minha vida e, aos poucos, fui percebendo que ela poderia se tornar uma profissão. Meu avô e meu padrasto queriam que eu continuasse trabalhando na roça, mas eu já tinha descoberto o desenho e sentia que aquele era meu destino.Como surgiu seu primeiro trabalho na área?Eu tinha 16 anos quando surgiu a oportunidade de pintar uma placa do Mobral. Na cidade não havia ninguém para fazer aquele serviço. Conseguiram tintas, pincéis e o padre cedeu um barracão para eu trabalhar. Fiz a placa e ficou muito boa. A partir dali as pessoas começaram a me procurar para pintar muros, fachadas e letreiros.Como foi construir sua carreira?Quando completei 20 anos, em 1972, fui para São Paulo. Eu era muito tímido e tinha um jeito bem caipira, mas precisava crescer profissionalmente. Também fiz um curso técnico de desenho artístico publicitário por correspondência, que me ajudou muito. Aprendi a criar logomarcas, trabalhei com campanhas políticas, publicidade e tipografia. Muitas ideias surgiam naturalmente.Como conheceu Mirandópolis?Passei por Campo Grande, Pacaembu e outras cidades até chegar a Mirandópolis, em 1985. Vim trabalhar em obras de pavimentação e depois ingressei no Hospital Estadual, onde permaneci de 1986 até 2023. Trabalhava à noite e durante o dia continuava pintando. Foi aqui que construí minha vida. Mirandópolis me acolheu muito bem. Conheci muitas cidades, mas poucas têm pessoas tão hospitaleiras quanto os mirandopolenses.Como nasce uma obra sua?Minha arte nasce da imaginação. Eu não consigo copiar uma pintura. As ideias aparecem na minha cabeça. Às vezes imagino uma forma, uma cor ou até um objeto diferente e sinto vontade de colocar aquilo na tela. Recentemente comecei a desenvolver trabalhos inspirados na pareidolia, que é enxergar imagens onde aparentemente elas não existem. É algo muito natural para mim. A criatividade sempre foi a minha maior inspiração.Em seu ateliê, Carlos Rangel mantém telas, tintas e pincéis sempre organizados, ambiente onde transforma ideias em obras de arte. Foto: Gabriel LeiteO que a arte representa na sua vida hoje?Hoje quero compartilhar tudo o que aprendi. Faço parte do Conselho Municipal de Cultura, representando as artes plásticas e visuais, e estamos desenvolvendo projetos para incentivar novos artistas. Queremos criar um espaço na biblioteca onde qualquer pessoa possa desenhar, pintar e desenvolver sua criatividade sem medo ou vergonha. A arte não tem idade. Ela aproxima pessoas, cria amizades e pode transformar vidas. Também continuo estudando, lendo bastante e buscando novos conhecimentos, porque acredito que nunca deixamos de aprender.Que mensagem o senhor deixa?Nunca tenha vergonha de mostrar aquilo que você faz. Mesmo um simples risco no papel já é uma forma de arte. Muitas vezes aquilo que parece simples para você pode tocar outra pessoa. É preciso acreditar em si mesmo e não ter medo de começar. Ninguém pode pintar a sua tela por você. Se você tem vontade, siga em frente. Tenha fé, confie no seu talento e nunca deixe de fazer aquilo que faz o seu coração feliz.O post “Sempre fiz o que precisava, mas nunca abandonei a arte”, afirma Carlos Rangel apareceu primeiro em AGORA NA REGIÃO.