Agricultura regenerativa fortalece cafezais em Uganda

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Nas colinas da região de Masaka, em Uganda, produtores de café da espécie robusta estão obtendo safras maiores e de melhor qualidade graças a um programa piloto que aposta na agricultura regenerativa para enfrentar os efeitos das secas e da irregularidade das chuvas. O café é um dos principais pilares da economia ugandesa e sustenta milhares de famílias em regiões produtoras locais. Para fortalecer a resiliência dessas lavouras, o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), parceria internacional que financia iniciativas voltadas ao enfrentamento de problemas ambientais globais, reuniu uma coalizão de organizações para criar fazendas demonstrativas e ensinar agricultores locais a aplicar práticas regenerativas no campo.A iniciativa contou com a experiência da maior e mais antiga exportadora licenciada de café de Uganda, além da participação da Nespresso e da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Juntas, as organizações implantaram 30 “fazendas modelo”, onde os produtores puderam aprender, na prática, diferentes técnicas de cultivo regenerativo. Nessas propriedades também foram plantadas variedades de café reconhecidamente mais resistentes, que depois puderam ser transplantadas para outras plantações da região, ampliando os benefícios da iniciativa.Foto: Facebook | Instituto BiológicoA agricultura regenerativa reúne uma série de técnicas que vão desde práticas simples, como a serrapilheira, até métodos mais complexos, como o cultivo de plantas de cobertura. Em áreas produtoras de café, essas estratégias são especialmente importantes porque ajudam a recuperar solos tropicais pobres em nutrientes e reduzem os impactos provocados pelas chuvas intensas e pelos períodos de estiagem. Embora muitas vezes seja confundida com a agricultura orgânica, a agricultura regenerativa tem um objetivo mais amplo: além de produzir alimentos, busca restaurar continuamente a saúde do solo, do cultivo de plantas de cobertura e do plantio de espécies complementares não alimentares distribuídas pela área cultivada.Essas práticas ajudam a conter a erosão, repõem o nitrogênio do solo e protegem os microrganismos da incidência direta do sol. O cultivo de árvores para fornecer sombra reforça esse processo ao preservar o solo, que não é arado, e aumentar a quantidade de matéria orgânica com a queda das folhas. Alguns agricultores também permitem que o gado paste entre as colheitas para reproduzir processos naturais de perturbação do solo e de pastoreio, enriquecendo ainda mais a terra por meio dos excrementos dos animais. Os resultados já são percebidos por quem participa do projeto. “A escassez de chuvas ou a ocorrência de chuvas fora de época tornaram-se sérias ameaças à produção de café”, disse Nakalisa Mary Fatuma, uma pequena produtora de café robusta em Masaka, à IUCN. Leia também: 1.Abelhas em cafezais aumentam produtividade em 16,5% 2.Litoral Norte de SP ganha ponto de coleta para cápsulas de café “Desde que aplicamos cobertura morta e plantamos mudas resistentes à seca, as fazendas de café se tornaram resilientes. Meu café está mais forte e promissor, assim como minha família.” Segundo a IUCN, os benefícios observados por Fatuma também vêm sendo relatados por outros agricultores. “Eles relatam a adoção de práticas regenerativas, melhoria na produtividade e na qualidade, árvores mais saudáveis e maior estabilidade de renda.” A transformação também ficou evidente para Munanira Joseph. “Antes pensávamos que a erosão era algo com que tínhamos que conviver”, disse aos escritores da IUCN. “Mas quando vimos como o solo se manteve no lugar na área de demonstração, todos quiseram experimentar.”O avanço dessas técnicas ocorre em um momento em que o mercado global do café enfrenta desafios crescentes. Nos últimos dez anos, a inflação dos preços do café superou a inflação média, com anos particularmente disruptivos, como 2022, quando o café torrado registrou aumentos de preços de dois dígitos. Como bilhões de pessoas consomem café quase diariamente, tornar as colheitas mais resilientes e previsíveis é um passo importante para reduzir a volatilidade da produção e contribuir para conter a alta dos preços. Nesse cenário, o sucesso das fazendas modelo em Masaka desponta como um exemplo de como a agricultura regenerativa pode fortalecer a produção agrícola, recuperar os solos e ampliar a adaptação das lavouras às mudanças climáticas.The post Agricultura regenerativa fortalece cafezais em Uganda appeared first on CicloVivo.