Gripe matou 38 pessoas em 2026; não há previsão para ampliar vacinação

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Apenas neste ano, a Secretária de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) registrou 38 óbitos relacionados a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) — sendo a maioria dos casos decorrente do vírus da gripe, segundo o boletim epidemiológico da pasta. Ao todo, foram computados 4.115 casos de SRAG até julho de 2026.Todas as mortes que ocorreram devido à Influenza, vírus causador da gripe, aconteceram em pessoas maiores de 10 anos — faixa etária excluída do único grupo que pode se vacinar contra a gripe na capital federal. Desde o início da campanha da vacinação, o acesso ao imunizante está restrito a crianças de seis meses até 5 anos, gestantes, idosos, profissionais de saúde e outros grupos de risco.A maior incidência de complicações está concentrada em crianças e idosos. No entanto, a infectologista e professora de medicina do Centro Universitário de Brasília (Ceub) Eveline Vale alertou que restringir o imunizante a grupos de riscos ajuda na proteção deles, mas não interrompe a cadeia de transmissão do vírus — que ocorre, na maioria dos casos, entre jovens.“A maior parte da disseminação da influenza ocorre por pessoas jovens e saudáveis com muitas interações sociais e que podem transmitir o vírus antes mesmo de apresentar sintomas. Portanto, quando essas pessoas também se vacinam, há diminuição de vírus circulante e reduz a chance de o vírus chegar à população mais vulnerável. Ou seja, há uma proteção coletiva”, explicou a infectologista.A maior parte das detecções dos vírus respiratórios em casos de Síndrome Gripal neste ano se concentrou, justamente, entre o público de 20 a 29 anos, segundo o boletim epidemiológico.  Leia também Distrito FederalGripe: atraso na ampliação da vacina é de 51 dias em relação a 2025 Distrito FederalVacina contra gripe: não há previsão para ampliar público-alvo no DF Não há previsão para ampliar vacinaçãoNa última quarta-feira (8/7), a SES-DF afirmou que “não há previsão para ampliar a vacinação contra a gripe” para toda a população na capital federal. Em 2025, a ampliação aconteceu em 19 de maio — comparado com este ano, já são 51 dias de atraso. Desde março, o imunizante está liberado apenas para grupos prioritários. De acordo com a Secretaria de Saúde, a orientação para vacinar apenas grupos de riscos é do Ministério da Saúde (MS) e que isso ocorre devido à baixa cobertura e ao monitoramento dos estoques.Em contrapartida, a pasta federal afirmou que os estados e municípios têm autonomia para definir os grupos que podem ser vacinados — ainda que a orientação seja privilegiar os de riscos. No entanto, em 2025, a vacinação passou a ser liberada para o público geral no DF somente após o Ministério mudar a orientação. “A SES DF segue as recomendações do Ministério da Saúde. No ano passado a ampliação dos grupos prioritários foi realizada após Ofício Circular Nº 198/2025/SVSA/MS, em que o Ministério recomendou a disponibilização da vacina influenza para pessoas não contempladas nos grupos prioritários. Assim, a SES-DF realizou a disponibilização dessas doses a partir de 16 de maio”, defendeu a Secretária do DF.A pasta ainda reforçou que “o Ministério alerta para a baixa cobertura vacinal nacional, que foi de 40,32% e ao aumento das hospitalizações especialmente em grupos mais vulneráveis. Diante desse cenário, a orientação dada foi a manutenção da vacinação direcionada apenas aos grupos prioritários, com monitoramento constante dos estoques e otimização do uso”.Imunização está abaixo da metaA cobertura vacinal do público-alvo é apenas 46,3%, todavia, a meta era atingir 90% do público — que corresponde a um total 1.183.796 pessoas. Na prática, isso significa que cerca de 344 mil gestantes, crianças e idosos ainda não se vacinaram e que, por isso, a SES precisa contingenciar as doses para garantir que a vacina esteja disponível para este grupo o ano inteiro. A Secretaria informou em nota que “tem ampliado o acesso à vacinação por meio da abertura de salas de vacina aos sábados. Além disso, as doses são ofertadas em escolas e em outras ações extramuros. Para as gestantes, a vacinação contra a influenza também está sendo realizada de forma concomitante à aplicação da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), facilitando o acesso e ampliando a proteção desse público”.Segundo a SES, o atual estoque de imunizantes é de 99.570 doses na gerência de rede de frio e 108.440 doses distribuídas nas UBSs, hospitais e núcleos de vigilância epidemiológica. Os locais de vacinação podem ser consultados através do site oficial da pasta .