As alterações climáticas estão a mudar o mercado da habitação em Portugal

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As alterações climáticas deixaram de ser uma preocupação exclusivamente ambiental para entrarem nas decisões do mercado imobiliário. Em Portugal, 87% dos consumidores afirmam que a exposição da habitação a riscos climáticos é um critério importante ou muito importante na compra de uma nova casa.Os dados constam do mais recente Observador Cetelem, que revela uma mudança nas prioridades dos portugueses. Hoje, além da localização, do preço ou da eficiência energética, ganha peso a capacidade da habitação resistir a fenómenos meteorológicos cada vez mais frequentes e intensos.Tempestades lideram as preocupações dos portuguesesAo contrário da média europeia, onde as ondas de calor são o principal motivo de preocupação (40%), em Portugal são as tempestades, rajadas de vento e tornados locais que ocupam o primeiro lugar.Segundo o estudo, 48% dos portugueses identificam estes fenómenos como a maior ameaça às suas habitações. O resultado reflete o impacto das tempestades que marcaram o início do ano no país.Logo atrás surgem as ondas de calor, apontadas por 45% dos inquiridos. Portugal está entre os países europeus onde esta preocupação é mais elevada, em linha com França (51%) e Espanha (49%).O frio aparece na terceira posição, referido por 30% dos participantes, seguido dos incêndios (20%) e das inundações (18%), riscos cuja relevância tem aumentado à medida que os fenómenos climáticos extremos se tornam mais frequentes.A maioria considera que as casas não estão preparadasApesar de 89% dos portugueses classificarem a sua habitação como confortável, apenas 62% acreditam que esta está suficientemente preparada para enfrentar riscos climáticos.O valor fica abaixo da média europeia, situada nos 68%, e distante dos registados em Espanha e no Reino Unido, onde essa perceção sobe para 73%.Ainda mais expressivo é o número de portugueses que afirmam estar totalmente satisfeitos com a preparação das suas casas para responder a fenómenos climáticos extremos: apenas 12%. Trata-se de um dos valores mais baixos entre os países analisados e inferior à média europeia de 16%.O estudo mostra também que 57% dos inquiridos consideram estar expostos a dois ou mais riscos climáticos nas suas habitações. Destes, cerca de três em cada dez (30%) identificam simultaneamente três ou mais ameaças.O inverno continua a ser o maior desafioEmbora 62% dos portugueses afirmem sentir conforto na sua casa durante todo o ano, o inverno continua a representar dificuldades para uma parte significativa da população.Quase três em cada dez portugueses (29%) dizem que o frio é um problema na sua habitação, uma percentagem superior à média europeia, fixada nos 22%.Já durante as estações mais quentes, a avaliação é bastante mais positiva. A primavera reúne o maior nível de satisfação, com 94% dos inquiridos a classificarem as suas casas como confortáveis nesta época do ano. No verão, essa percentagem é de 85%, ambos os valores ligeiramente acima da média europeia, que se situa nos 92% e 83%, respetivamente.Adaptação das habitações ganha importânciaPara Hugo Lousada, Diretor de Marketing, B2B & B2C do Cetelem, a adaptação das habitações às alterações climáticas passou a fazer parte das preocupações dos consumidores.«A adaptação da habitação às alterações climáticas tornou-se uma preocupação concreta para os portugueses. Hoje, as casas já não são avaliadas apenas pelo conforto ou pela eficiência energética, mas também pela sua capacidade de responder a fenómenos como ondas de calor, tempestades ou outros eventos climáticos extremos. O desafio passa agora por acelerar a adaptação do parque habitacional a esta nova realidade», afirma.Os resultados do Observador Cetelem sugerem que os riscos climáticos estão a assumir um papel crescente nas decisões de compra de habitação, refletindo uma mudança de prioridades dos consumidores perante uma realidade marcada por fenómenos meteorológicos cada vez mais frequentes.O conteúdo As alterações climáticas estão a mudar o mercado da habitação em Portugal aparece primeiro em Revista Líder.