Belo Horizonte – A falta de profissionais qualificados deixou de ser um problema pontual e passou a atingir praticamente todos os segmentos da indústria mineira. A dificuldade para preencher vagas, especialmente nas áreas ligadas à automação, mecatrônica e processos industriais, já compromete a produtividade das empresas e preocupa o setor.Em resposta a esse cenário, o Senai Minas Gerais tem trabalhado junto às indústrias para atrair os jovens para cursos técnicos presenciais, voltados justamente às profissões mais demandadas pela indústria.Escassez de profissionais já é realidade em toda a indústriaA dificuldade para contratar trabalhadores especializados deixou de ser uma preocupação restrita a alguns segmentos e se tornou uma realidade comum em praticamente toda a indústria de Minas Gerais. A percepção é compartilhada diariamente pelos gestores das indústrias e sindicatos que mantêm contato com o Senai.Segundo a coordenadora de Infraestrutura de Tecnologias Educacionais da Gerência de Educação Profissional e Tecnológica do Senai-MG, Natália Trindade de Souza, a situação se intensificou nos últimos dois anos e hoje atinge empresas de diferentes portes e setores.“Massivamente, há cerca de dois anos, temos ouvido com muita frequência dos gestores, em todos os setores, a mesma reclamação: está faltando profissional qualificado. Antes essa dificuldade aparecia em segmentos específicos. Hoje ela está generalizada”, afirma.De acordo com Natália, a escassez é percebida na siderurgia, montadoras de veículos, setores de alimentos, mineração, metalurgia, construção civil e diversos ramos da transformação industrial.“Da siderurgia ao setor automobilístico, a fala é a mesma. As empresas não conseguem contratar profissionais, principalmente para atuar em processos automatizados”, afirmou Natália.Alunos dos cursos de formação técnica do Senai-MGAutomação e Indústria 4.0 ampliam a demanda por técnicosA modernização das fábricas acelerou a procura por profissionais preparados para operar sistemas cada vez mais tecnológicos.Entre as ocupações mais difíceis de preencher estão os técnicos em Automação Industrial, Mecatrônica, Eletromecânica, Mecânica e Eletrotécnica — áreas diretamente ligadas à transformação digital da indústria.Segundo Natália, o problema não está na falta de vagas, mas na escassez de pessoas preparadas para ocupá-las.“A indústria está investindo em automação, inteligência artificial e novas tecnologias, mas não encontra profissionais suficientes para acompanhar essa transformação.”O próprio Senai também percebe um aumento na procura das empresas por programas de aperfeiçoamento dos trabalhadores que já estão empregados.“Hoje a indústria também busca o Senai para recapacitar seus profissionais. Temos equipes desenvolvendo soluções com inteligência artificial e outras tecnologias para apoiar esse processo.”Jovens ainda não enxergam a indústria como carreiraApesar da alta empregabilidade e dos salários competitivos, convencer os jovens a seguir uma carreira técnica continua sendo um dos maiores desafios. Na avaliação de Natália, ainda existe uma imagem ultrapassada sobre o trabalho industrial.“Temos um feeling muito forte de que o jovem ainda não consegue enxergar como a indústria mudou. Existe um imaginário antigo sobre esse ambiente de trabalho e isso acaba afastando muitos estudantes.”Ela destaca que a valorização quase exclusiva do ensino superior também influencia essa escolha.“Criou-se uma cultura de que o único caminho de sucesso é a graduação. Mas hoje temos técnicos com excelentes salários, muitas vezes equivalentes aos de profissionais com ensino superior, e isso ainda não faz parte do projeto de vida de muitos jovens.”Outro fator apontado é o modelo tradicional de contratação da indústria. “São vagas presenciais, com jornada CLT e rotina fixa. Isso também pesa diante das expectativas de parte da nova geração.”Uma das estratégias para reduzir o déficit de profissionais é atualizar constantemente a oferta de cursosEmpregabilidade supera 91% entre formados pelo SenaiPara aproximar os jovens da indústria, o SENAI tem investido em ações de orientação profissional e aproximação com estudantes do ensino regular. Entre elas estão o Mundo SENAI, que abre as portas das unidades para visitas e minicursos, além de palestras sobre carreira e projetos de vida.Para quem já está matriculado, a instituição mantém programas de estágio e encaminhamento para vagas. Os resultados aparecem nos índices de empregabilidade.Segundo o SENAI Minas, 91,2% dos alunos formados conseguem colocação na indústria, enquanto 92,4% das empresas afirmam dar preferência a profissionais formados pela instituição.Cursos são definidos pelas necessidades das empresasUma das estratégias para reduzir o déficit de profissionais é atualizar constantemente a oferta de cursos. Natália explica que o conteúdo das formações é revisado a cada dois anos com participação direta das empresas.“Todos os cursos são construídos a partir da escuta da indústria. Representantes das empresas participam da revisão curricular para garantir que o aluno saia preparado exatamente para as competências que o mercado procura.”Atualmente, as maiores ofertas de vagas são para os cursos técnicos em:Automação Industrial;Mecatrônica;Eletrotécnica;Eletromecânica;Mecânica;Segurança do Trabalho.As inscrições seguem abertas até 29 de julho, com início das aulas em 3 de agosto. A primeira mensalidade custa R$ 99,90. 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O estado também ocupa a segunda posição nacional nas exportações industriais, com mais de US$ 16,8 bilhões exportados.Para Natália, manter esse protagonismo depende diretamente da formação de novos profissionais.“Não basta investir em tecnologia. É preciso investir nas pessoas. Sem mão de obra qualificada, a indústria perde produtividade, competitividade e capacidade de crescer.”