A Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), que foi declarada em cisma e teve seus bispos excomungados pela Igreja Católica, se autodenomina uma congregação de sacerdotes católicos. O padre do Distrito Federal Françoá Costa, que se considera aderente à Fraternidade, também foi excomungado (leia abaixo).De acordo com a página brasileira da FSSPX, a Fraternidade foi fundada por Dom Marcel Lefebvre, em 1970.“Seu objetivo essencial é a formação sacerdotal utilizando os meios que a Igreja sempre usou: o santo Sacrifício da Missa celebrado segundo o rito de sempre, a pregação da fé e da moral católicas, a dispensação da graça por meio dos sacramentos da Igreja, a doutrina católica extraída das melhores fontes e a vida em comum baseada na caridade e a oração”, afirma. Leia também Distrito FederalSaiba quem é o padre de igreja do DF excomungado pelo Vaticano Distrito FederalVaticano excomunga padre e igreja do DF por ligação a grupo cismático Distrito FederalIgreja do DF excomungada pelo Vaticano ignora decreto e mantém rotina MundoVaticano declara Sociedade São Pio X em cisma e excomunga bispos A Fraternidade São Pio X foi fundada canonicamente em Friburgo, na Suíça, em novembro de 1970, por Dom François Charrière, e está presente em, aproximadamente, 60 países, conta com 720 sacerdotes e tem seis seminários internacionais de formação.“Seus membros se dedicam a uma grande variedade de obras: ministério paroquial em priorados erigidos em todas as partes do mundo, escolas primárias e secundárias, ensino superior, casas de retiros espirituais, capelanias de religiosas, missões e várias obras de caridade”, ressalta.O grupo defende a preservação das práticas tradicionais do catolicismo, como a celebração da missa em latim. Também critica mudanças promovidas pela Igreja nas últimas décadas e rejeita o diálogo formal com outras religiões.Em uma nota pública, a fraternidade negou a acusação de ruptura formal e argumentou que “não é qualquer desobediência ao Papa que constitui um cisma” — veja em O lado da Fraternidade.Entenda o caso do padre FrançoáA Arquidiocese de Brasília declarou a excomunhão do padre Françoá Costa e de toda a comunidade ligada à Capela Santo Atanásio, localizada na Ceilândia;O padre Françoá é adepto da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), grupo que se encontra em crise com o Vaticano, desde 2025;Segundo a nota da Arquidiocese de Brasília, os fiéis devem evitar frequentar a capela para que não sejam excomungados;De acordo com o documento, todas as atividades e celebrações litúrgicas realizadas no local passaram a ser consideradas ilegítimas, ou seja, confissões e casamentos feitos na capela são inválidos;O padre Françoá Costa afirmou que a comunidade recebeu a nota da arquidiocese “com muita paz” e afirmou que a comunidade não é cismática nem excomungada;Ele defende ainda que, devido ao princípio da “jurisdição de suplência”, todos os sacramentos realizados na capela da Ceilândia são válidos e lícitos.A crise da FSSPX com a IgrejaA decisão da Arquidiocese de Brasília é um desdobramento direto de um decreto emitido pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, no Vaticano, publicado em 2 de julho deste ano.O documento papal aplicou a excomunhão latae sententiae (que ocorre de forma automática pelo próprio ato cometido) contra a FSSPX.O estopim para a punição foi a ordenação episcopal ilícita realizada pelo Bispo Alfonso de Galarreta, que consagrou quatro novos bispos para o movimento sem a necessária autorização expressa do papa Leão XIV.De acordo com a teologia católica, ordenar bispos sem o aval de Roma configura ato cismático gravíssimo.A excomunhão decretada pelo Vaticano atingiu nominalmente:Bispo Alfonso de Galarreta (o bispo que realizou as consagrações);Os quatro padres que foram consagrados bispos: Pascal Schreiber, Michael Goldade, Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier;Bispo Bernard Fellay: punido por atuar diretamente na cerimônia como co-consagrante.Esta penalidade é classificada como “reservada à Sé Apostólica”, o que significa que apenas o próprio Papa possui a prerrogativa jurídica de revogá-la.Em nota explicativa, o Vaticano lamentou que décadas de diálogos para trazer os seguidores do movimento fundado por Dom Marcel Lefebvre de volta à plena comunhão tenham se mostrado inúteis.A Santa Sé emitiu um alerta a todo o povo católico a respeito da validade espiritual e jurídica dos ritos promovidos pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X a partir desta ruptura formal:Todos os ministros sagrados (bispos, padres, diáconos) pertencentes à FSSPX estão oficialmente em cisma e devem ser considerados cismáticos;Os fiéis leigos que aderirem formalmente à FSSPX também são considerados cismáticos e excomungados.O Vaticano ainda faz um alerta ao “povo de Deus” (os católicos) sobre os sacramentos realizados pela FSSPX:Os padres da FSSPX administram os sacramentos de forma ilícita (ilegal perante as leis da Igreja);O sacramento da confissão (penitência) realizado por eles e os casamentos (matrimônios) celebrados por eles são declarados inválidos (ou seja, para a Igreja Católica, não têm efeito espiritual ou jurídico).A Fraternidade já havia sido excomungada em 1988 por João Paulo II. O grupo chegou a ser perdoado em 2009 pelo Papa Bento XVI.O lado da FraternidadeEm resposta pública à decisão de Roma, a FSSPX publicou o manifesto “Sanções inválidas e sacramentos válidos”. A fraternidade nega a acusação de ruptura formal e argumenta que “não é qualquer desobediência ao Papa que constitui um cisma”.A instituição explica que o cisma só se configura quando há a rejeição à própria autoridade do Papa como instituição. Segundo o grupo, esse não é o caso da FSSPX, visto que seus sacerdotes rezam pelo Pontífice nominalmente em todas as missas e mantêm uma postura de respeito filial.A defesa da fraternidade baseia-se nas leis da própria Igreja, o Direito Canônico, sustentando que ninguém pode receber uma punição eclesiástica sem ter cometido um pecado mortal.Sob essa ótica, os bispos, padres e fiéis não estariam excomungados porque agiram movidos por um “estado de necessidade” diante da atual crise de fé e moral na Igreja. Trata-se de uma situação de urgência que, pelas regras canônicas, anula qualquer aplicação de pena automática (latae sententiae).Sobre os sacramentos, a FSSPX reconhece que não possui uma situação jurídica regularizada, mas recorre ao princípio teológico de que a necessidade torna lícito, o que em tempos de normalidade, seria proibido. Dessa forma, garantem que as confissões e os casamentos celebrados por seus padres são totalmente válidos.