O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) se reúne nesta terça-feira (14), às 9h, com representantes de 19 institutos de pesquisa para discutir critérios e parâmetros para a realização e a divulgação de levantamentos eleitorais.O encontro será realizado na sede da Corte, em Brasília, e vai ocorrer após o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, suspender uma pesquisa da AtlasIntel sobre o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Leia Mais Bolsonaristas criticam Moraes e lembram carta de Lula na prisão; entenda Equipe de Flávio nega violar Lei Eleitoral e acusa Lula de fazer campanha Ministros do STF veem exagero de Moraes em decisão sobre carta de Bolsonaro Participarão da reunião representantes dos seguintes institutos:Apex Partners;ASN Pesquisas de Opinião Pública;AtlasIntel;Consult Pesquisa;Datafolha;Data Povo;Datasensus;Data Tempo;Direto ao Ponto;Item Pesquisas;Ipsos-Ipec;Quaest;MDA Pesquisa;Ipespe;Nexus;PoderData;Pesquisas Perfil;Paraná Pesquisas;Vox Brasil.A reunião é vista por integrantes da Corte como uma tentativa de construir um consenso sobre as regras aplicáveis às pesquisas antes da retomada do julgamento que analisa a decisão de Nunes Marques.Entre os pontos que devem entrar na discussão estão o uso de áudios e vídeos durante as entrevistas, a formulação das perguntas e o nível de transparência exigido sobre a metodologia registrada na Justiça Eleitoral.A pesquisa suspensa por Nunes Marques apontava uma queda de Flávio Bolsonaro após a divulgação de conversas entre o senador e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.Ao barrar o levantamento, o ministro afirmou que havia elementos que poderiam indicar uma possível contaminação das respostas. Um dos pontos questionados foi a apresentação aos entrevistados de um áudio relacionado ao caso Vorcaro.Na gravação, o senador cobra milhões de reais do banqueiro pela produção do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).Aliados de Flávio afirmam que a apresentação do conteúdo poderia ter influenciado a percepção dos eleitores. A AtlasIntel nega que tenha havido indução.Segundo o instituto, o áudio não fazia parte do questionário principal e foi exibido apenas ao final da entrevista, para os participantes que optaram por registrar suas reações. A empresa afirma ainda que os entrevistados não podiam retornar às perguntas anteriores nem modificar respostas já registradas.O julgamento da decisão de Nunes Marques foi interrompido em junho por um pedido de vista da ministra Estela Aranha, que solicitou mais tempo para analisar o processo.A PGE (Procuradoria-Geral Eleitoral) se manifestou contra a suspensão da pesquisa. Para o órgão, a Justiça Eleitoral deve intervir apenas em situações excepcionais, quando houver demonstração objetiva de quebra de imparcialidade.A expectativa é que Estela Aranha libere o processo depois da reunião desta terça. A retomada do julgamento pelo plenário deve ocorrer em agosto, após o recesso do Judiciário.Integrantes do MP Eleitoral ouvidos pela CNN avaliam que a decisão sobre o caso poderá servir de referência para outros tribunais e influenciar pedidos de suspensão de pesquisas ao longo da campanha.