A Argentina de Lionel Messi enfrentará a campeã europeia Espanha na final da Copa do Mundo, em Nova Jersey, no domingo, partida que encerra um torneio que quebrou recordes de público e foi celebrado como uma grande vitória econômica para a região.O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, estarão entre as autoridades presentes, ao lado de 80 mil espectadores, para o duelo entre potências do futebol no MetLife Stadium. (O supersticioso presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou que assistirá à partida de casa.) O jogo pode servir como a coroação de Messi como o maior jogador da história do esporte caso ele conduza sua seleção ao segundo título consecutivo de Copa do Mundo.Messi ergue a taça da Copa na última edição (Jean Catuffe/Getty Images Europe)Outros 50 mil torcedores têm ingressos para uma exibição pública gratuita no Great Lawn, no Central Park, e a cidade de Nova York organizou mais de 100 transmissões gratuitas nos seus cinco distritos. A FIFA também promoverá uma cerimônia de encerramento repleta de estrelas, além de um show de intervalo inédito em uma final de Copa do Mundo, com Madonna, Shakira, Justin Bieber e BTS.As festividades ajudarão a concluir um torneio apontado como um grande sucesso para a FIFA e para os países-sede Estados Unidos, Canadá e México, superando preocupações iniciais com os preços elevados dos ingressos e possíveis pressões sobre os sistemas de transporte público. E, embora a fumaça dos incêndios florestais no Canadá tenha provocado forte poluição do ar na região nos últimos dias, o céu voltou a ficar limpo a tempo da partida de domingo.“Você realmente não poderia pedir um dia melhor”, disse Brian Hurley, meteorologista sênior do Centro de Previsão do Tempo dos Estados Unidos.Mesmo antes da final ser disputada, o comitê organizador de Nova York e Nova Jersey já aponta um retorno significativo. Um estudo do próprio comitê estima que apenas o período da fase de grupos gerou US$ 1,2 bilhão em impacto econômico direto, disse à Bloomberg Alex Lasry, diretor-executivo do comitê organizador NYNJ.Para Gonzalo Perez, um argentino residente no Panamá que assistiu à sua primeira Copa do Mundo na Argentina em 1978 e viajou para torneios posteriores, a dimensão e o espetáculo diferenciaram este evento das edições anteriores.“Acho que os Estados Unidos têm o melhor da indústria do entretenimento, algo que você não encontra em outros países”, afirmou.De ônibus a hambúrgueres, a Copa do Mundo movimentou dinheiro em ritmo sem precedentes. Mais de 400 mil pessoas assistiram a cinco partidas consecutivas da fase de grupos com lotação esgotada no MetLife Stadium, segundo o comitê organizador. O serviço oficial de transporte NYNJ Stadium Shuttle, que cobrava US$ 20 por viagem, vendeu 69.179 bilhetes nesse período, arrecadando US$ 1,4 milhão.O diretor-presidente do Bank of America, Brian Moynihan, afirmou no programa Face The Nation, da CBS, que estimativas da instituição apontam que os jogos geraram cerca de US$ 40 bilhões em atividade econômica, metade desse valor nos Estados Unidos.(Foto: Victor J. Blue / Bloomberg)A partida de abertura local entre Brasil e Marrocos também gerou a maior receita com alimentos e bebidas já registrada pelo estádio em qualquer evento desde o Super Bowl de 2014, segundo Lasry.“Os Estados Unidos estão preparados e são especialistas em realizar grandes eventos”, acrescentou.A FIFA chegou a começar a vender partes do gramado do MetLife Stadium. A partir de US$ 450, a loja oficial online do torneio informou aos clientes que pedaços do gramado, preservados em resina, começarão a ser enviados após o encerramento do campeonato. Por US$ 3.000, o comprador também recebe uma pequena réplica do troféu da Copa do Mundo em vidro lapidado.A iniciativa, porém, não foi bem recebida por políticos locais. “A FIFA precisa tirar as mãos do nosso gramado, literalmente”, disse o deputado estadual de Nova Jersey Michael Inganamort na sexta-feira, segundo a emissora WRNJ Radio.Embora os ingressos desta edição continuem entre os mais caros já vistos em um evento esportivo, os preços recuaram nos últimos dias. Desde 8 de julho, o menor preço pedido para a final caiu 33%, enquanto a oferta disponível aumentou 65%, de acordo com Alex Bird, editor do blog Ticket-Compare.com, que agrega preços de mercados de revenda de ingressos para futebol. Mais de 7 mil entradas estavam anunciadas à medida que a final se aproximava.Ainda assim, os assentos mais baratos disponíveis custavam entre aproximadamente US$ 5 mil e US$ 7,5 mil, e o preço médio girava em torno de US$ 12,5 mil, segundo dados da SeatGeek. Em comparação, o preço médio de revenda de um ingresso para o Super Bowl nos últimos anos variou entre US$ 6 mil e US$ 10 mil.Michael Chan, gerente de restaurante de Xangai que irá ao jogo de domingo, disse ter pago US$ 8 mil por um ingresso duas semanas atrás. “Nem sequer é um bom lugar”, afirmou.E embora os torcedores estejam gastando dinheiro, eles não viajaram em massa para os jogos, nem houve um salto expressivo na contratação de funcionários por empresas locais. Dados da CoStar divulgados durante o torneio mostraram que a ocupação hoteleira em Nova York subiu 3% em relação ao ano anterior durante a partida de abertura local entre Brasil e Marrocos, antes de ficar ligeiramente abaixo dos níveis do ano anterior nos dias dos jogos seguintes.As tarifas médias diárias dos hotéis e a receita por quarto disponível, no entanto, aumentaram quase 30%, em média, nos dias de jogos realizados no MetLife Stadium.Durante o Fanatics Fest, festival de esportes e games realizado nos últimos dias em Nova York, o diretor-presidente da Fanatics Inc., Michael Rubin, argumentou que a Copa do Mundo não apenas vendeu ingressos e camisas, mas também ajudou a elevar a posição do futebol no mercado americano.“A empolgação dos últimos trinta e poucos dias foi simplesmente extraordinária”, disse Rubin. “Foi um impulso para o futebol que permanecerá para sempre. Isso foi enorme para o futebol mundial nos Estados Unidos.”Ainda não está claro até que ponto a Copa do Mundo realmente ajudará a atrair mais público para os jogos da Major League Soccer, embora tenham surgido relatos de aumento nas vendas de produtos relacionados ao futebol e de crescimento nas inscrições em ligas recreativas na cidade de Nova York. Em uma recepção promovida pela FIFA na sexta-feira em Nova York, Trump manifestou surpresa com o impacto da Copa do Mundo nos Estados Unidos.“Eu disse: ‘Vocês estão loucos? Nós não somos um país de futebol’”, afirmou, ao comentar sobre a realização do torneio. “No fim das contas, descobrimos que éramos um país de futebol.”(Atualização com previsão do tempo para a final, estimativas sobre o impacto econômico do torneio e comentários de torcedores. Uma versão anterior foi corrigida para esclarecer que Milei pretende assistir ao jogo da Argentina.)© 2026 Bloomberg L.P.The post Copa do Mundo 2026 foi vitória econômica para Nova York appeared first on InfoMoney.