Strategy começou a vender Bitcoin; e agora?

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A Strategy, maior empresa detentora corporativa de Bitcoin do mundo, acendeu um alerta no mercado ao realizar sua maior venda de BTC desde que transformou a criptomoeda em seu principal ativo de reserva. Mas, segundo análise do MB Explica — conteúdo educacional enviado semanalmente aos clientes do MB | Mercado Bitcoin —, o movimento não significa que a Strategy abandonou sua tese de acumulação, e sim que a companhia passou a enfrentar uma pressão financeira mais complexa após depender cada vez mais de instrumentos preferenciais ligados ao seu balanço.A Strategy, fundada por Michael Saylor como uma empresa de software, mudou sua estratégia em 2020 e passou a comprar Bitcoin de forma agressiva. Desde então, tornou-se uma espécie de proxy do BTC na bolsa americana, acumulando mais de 843 mil bitcoins, o equivalente a cerca de 4% da oferta máxima da criptomoeda.Durante anos, a relação parecia previsível: a companhia captava dinheiro, comprava Bitcoin e era recompensada pelo mercado com valorização das ações. O problema é que essa lógica ficou mais difícil em 2026, com a queda do BTC, o recuo das ações da Strategy e o aumento das obrigações financeiras da empresa.No início de julho, a Strategy vendeu 3.588 BTC por cerca de US$ 216 milhões, sua maior venda até hoje. Depois disso, a empresa passou a priorizar a recomposição da sua reserva em dólar, que chegou a US$ 3 bilhões, suficiente para cobrir cerca de 20,4 meses de dividendos de ações preferenciais e juros.Para o MB, a venda não deve ser lida isoladamente como uma perda de confiança no Bitcoin. O ponto central é que a Strategy criou uma estrutura de capital mais sofisticada, com ações preferenciais, dívida e compromissos de pagamento em dinheiro. Com isso, a empresa precisa manter liquidez para honrar obrigações, mesmo em um mercado de baixa.Venda tem mais a ver com STRC do que com BitcoinA principal peça dessa nova fase é a STRC, ação preferencial perpétua da Strategy. Esse instrumento paga dividendos em dinheiro e tem valor de referência de US$ 100, mas passou a negociar abaixo desse patamar durante a queda do mercado.Quando o preço da STRC cai muito abaixo de US$ 100, o mercado passa a duvidar da capacidade da Strategy de manter os pagamentos. Isso aumenta a percepção de risco, pressiona a ação da empresa e cria um ciclo negativo que pode afetar também o Bitcoin.Leia também: A Strategy não está em pânico — a menos que o Bitcoin caia para US$ 10 mil, diz CEOO MB compara a lógica da STRC a um título de renda fixa que vale R$ 100 no vencimento, mas passa a ser negociado por R$ 70. Mesmo que o valor final prometido continue sendo o mesmo, o desconto indica que os investidores estão exigindo mais retorno para aceitar o risco. No caso da Strategy, esse desconto sinaliza dúvidas sobre a sustentabilidade da estrutura.A própria Strategy formalizou no fim de junho um novo Digital Credit Capital Framework, com política de reserva em dólar, dividendos de 12% ao ano para a STRC, autorização para recomprar até US$ 1 bilhão em títulos preferenciais, até US$ 1 bilhão em ações ordinárias e um programa de monetização de Bitcoin. Esse programa permite vender BTC para reforçar reservas, pagar dividendos, juros e financiar recompras, mas não obriga a companhia a vender.Na leitura do MB, esse novo plano coloca o Bitcoin em uma posição diferente dentro da empresa. O ativo continua sendo o centro da tese, mas passa a funcionar também como garantia de um sistema de crédito que precisa se manter saudável. A venda, portanto, pode ser vista como uma tentativa de reduzir a fragilidade financeira no curto prazo, e não como uma mudança estrutural contra o BTC.Ainda assim, o risco existe. Se a queda do Bitcoin se aprofundar e a STRC continuar pressionada, a empresa pode precisar vender mais BTC ou buscar novas fontes de capital. Embora a reserva de US$ 3 bilhões dê mais flexibilidade, uma nova queda relevante do Bitcoin poderia tornar esse caixa insuficiente e forçar a Strategy a captar recursos ou vender mais criptomoedas.Mercado teme pressão vendedora, mas pânico é exageroO maior temor do mercado é que a Strategy se torne uma vendedora recorrente de Bitcoin. A empresa, afinal, passou anos alimentando a ideia de que jamais venderia seus BTC. Quando essa premissa foi quebrada, a reação foi forte.Para o MB, porém, parte desse medo é mais psicológica do que estrutural. Segundo os analistas, a última venda da Strategy foi absorvida rapidamente por investidores de longo prazo, que entre 2 e 8 de julho compraram 40 mil BTC. Esse valor é muito abaixo aos 850 mil bitcoins do caso da Mt. Gox, por exemplo.O comparativo com a Mt. Gox é usado pelo MB para dar escala ao problema. A antiga exchange japonesa, que quebrou em 2014 após perder centenas de milhares de bitcoins, começou a distribuir parte dos BTC remanescentes a credores em 2024. Mesmo assim, o mercado absorveu um volume elevado sem uma venda forçada em massa capaz de derrubar estruturalmente o preço do Bitcoin.A diferença, segundo o MB, é que a Strategy tem um peso simbólico maior. A empresa é vista como a maior defensora corporativa do Bitcoin. Por isso, qualquer venda ganha uma dimensão narrativa maior do que seu impacto direto em oferta.Essa percepção ajuda a explicar por que a reação do mercado foi tão forte. A venda de BTC pela Strategy não representa, sozinha, um choque de oferta impossível de absorver. Mas ela coloca em dúvida uma história que sustentou parte do prêmio das ações da companhia por anos: a de que a empresa seria uma compradora permanente de Bitcoin.Ao mesmo tempo, o MB vê um lado positivo no reforço de caixa. Ao aumentar a reserva em dólar, a Strategy ganha fôlego para atravessar uma fase ruim do mercado sem precisar vender BTC de forma recorrente no curto prazo. Em outras palavras, vender agora pode ajudar a preservar a capacidade de comprar ou manter Bitcoin depois.A decisão, portanto, não é simples. Para investidores, o ponto não é apenas olhar para uma manchete sobre venda de Bitcoin, mas entender se a Strategy ainda tem caixa suficiente, se a STRC volta a se aproximar dos US$ 100 e se o mercado volta a aceitar o modelo de capital da empresa.Na avaliação do MB, os fundamentos do Bitcoin seguem intactos: escassez programada, descentralização e adoção institucional crescente. O risco maior está na Strategy, não no ativo em si. Caso a empresa consiga atravessar o período sem novas vendas relevantes e estabilize sua estrutura, o episódio pode ser lembrado como um ajuste de caixa. Se novas vendas se tornarem frequentes, porém, o mercado pode passar a tratar a companhia menos como acumuladora permanente e mais como uma fonte potencial de pressão vendedora.Quer investir na maior criptomoeda do mundo? No MB, você começa em poucos cliques e de forma totalmente segura e transparente. Não adie uma carteira promissora e faça mais pelo seu dinheiro. Abra sua conta e invista em bitcoin agora!O post Strategy começou a vender Bitcoin; e agora? apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.