PF cita Eros Biondini e filha em esquema do INSS com emenda de R$ 5 milhões

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O relatório final da Polícia Federal sobre o esquema de fraudes da Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais) revela que pagamentos feitos pela entidade à deputada estadual Chiara Biondini (PL-MG) foram usados pela cúpula da organização criminosa como instrumento de chantagem contra o pai dela, o deputado federal Eros Biondini (PL-MG). O documento, ao qual a Jovem Pan News teve acesso, cita os dois parlamentares, mas nenhum deles foi indiciado pela PF ao fim da apuração.Segundo o documento, a quebra de sigilo bancário confirmou que Chiara recebeu pagamentos mensais de R$ 10 mil da Conafer e de Ingrid Pikinskeni, esposa de Cícero Marcelino, apontado como operador do esquema. Os repasses ocorreram entre o final de 2021 e 2022 e totalizaram R$ 60.001,10.Diálogos interceptados entre os líderes da organização criminosa, Carlos Roberto e Vinícius Ramos, indicam que a deputada teria recebido os valores por um ano e meio “sem fazer nada”. Nas mensagens, o próprio presidente da Conafer admitia internamente que os pagamentos eram atos de corrupção e orientava subordinados a não divulgarem os comprovantes para não atrair a acusação de “pagamento de propina” contra a entidade.A investigação aponta que os comprovantes de depósitos feitos a Chiara foram usados pela cúpula da organização como instrumento de chantagem contra Eros Biondini. Depois que o deputado federal se manifestou favoravelmente à abertura de uma CPI para investigar as fraudes no INSS, os líderes do grupo, que se sentiram “traídos” pelo parlamentar, ameaçaram vazar os pagamentos da filha para a imprensa, afirmando que os deputados estariam “todo cagado” com medo das consequências.De acordo com o relatório, o deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG), tratado pelo grupo como “Herói E”, foi utilizado como canal de pressão sobre Biondini. Os líderes da organização orientaram Pettersen a confrontar o colega com os comprovantes dos repasses feitos à filha. O documento indica ainda que Pettersen encaminhava capturas de tela de conversas privadas com Biondini diretamente aos chefes do esquema, funcionando como informante sobre os movimentos do parlamentar.O relatório registra também que Eros Biondini destinou uma emenda parlamentar de R$ 5 milhões ao Instituto Terra e Trabalho (ITT), entidade descrita pela PF como “umbilicalmente ligada” à Conafer e utilizada como extensão operacional para irrigar empresas de fachada do esquema.Em depoimento à Polícia Federal, Eros Biondini declarou que não conhece os líderes da organização criminosa e afirmou que a indicação da emenda ao ITT foi uma sugestão do deputado Euclydes Pettersen. Segundo ele, à época desconhecia qualquer irregularidade ou ligação entre o instituto e a Conafer.Chiara Biondini afirmou à PF que foi contratada em 2021 como assessora da presidência da entidade por sugestão do pai, com o objetivo de unir seus estudos em Administração à tradição veterinária da família. A deputada relatou que viajou a Brasília para entrevista e participou de cursos, mas que, apesar de solicitar tarefas, raramente recebia demandas, o que lhe causava incômodo e insatisfação.Em nota oficial enviada à reportagem da Jovem Pan, os dois parlamentares negaram qualquer irregularidade. “Eros e Chiara Biondini, desde o primeiro momento no qual tomaram ciência da apuração, estiveram à disposição das autoridades e contribuíram efetivamente para a apuração dos fatos e, ao final, esclarecidas as circunstâncias, o relatório não identificou qualquer ato irregular e muito menos atitude ilícita dos dois parlamentares. Nesta oportunidade, reforçam seus valores de probidade e honestidade que sempre marcaram sua trajetória política, pessoal e profissional”, diz a nota.