As investigações da Polícia Civil de Mato Grosso apontam que Rhavenna Almeida (foto em destaque), a missionária do Comando Vermelho (CV) investigada na Operação Fariseus, deflagrada nessa quinta-feira (16/7), recebia benefícios da facção criminosa em troca de lavar dinheiro para o grupo.Em coletiva de imprensa, o delegado da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), Victor Hugo Caetano de Freitas, revelou que a facção chegou a custear uma cirurgia plástica para a mulher. Leia também Mirelle PinheiroEngenheiro morre após ritual de “banho de óleo” em escola de aviação Mirelle PinheiroHomem engole droga no DF e culpa desafio com amigos: “É doce de leite” Mirelle PinheiroOperação prende 13 traficantes do CV em reduto comandado por Doca Mirelle PinheiroPrefeito vira alvo do MP: “Joga no nosso time ou pede para sair” “Eles ganhavam proteção dos membros da organização criminosa e recebiam favores. Por exemplo, a presa (Rhavenna) teve uma cirurgia plástica paga por um líder da facção.”A investigada é, segundo a Polícia Civil, namorada de Jonas Souza Gonçalves Júnior, criminoso conhecido como “Batman”. Os levantamentos apontam que ela utilizava o projeto Equipe Evangelismo Resgatando Vidas, vinculado à igreja onde seus pais atuam como pastores, para manter contato com integrantes do CV, incluindo presos e foragidos.6 imagensFechar modal.1 de 6A mulher atua como missionária do CVMaterial cedido ao Metrópoles2 de 6Os investigadores também consideram relevantes os registros de videochamadas entre Rhavenna e lideranças criminosas foragidasMaterial cedido ao Metrópoles3 de 6Rhavenna costumava tirar fotos com armasMaterial cedido ao Metrópoles4 de 6Ela já ostentou um fuzil banhado a ouro Material cedido ao Metrópoles5 de 6A investigada é, segundo a Polícia Civil, namorada de Jonas Souza Gonçalves Júnior, criminoso conhecido como "Batman"Material cedido ao Metrópoles6 de 6O homem está foragido desde 2024Material cedido ao MetrópolesO papel da missionáriaA suspeita é de que, além dessa aproximação, a investigada também desempenhasse funções de apoio à comunicação e à logística da facção.Os investigadores identificaram ainda que a jovem realizava viagens frequentes ao RJ, onde permanecia em comunidades dominadas pelo CV. Em uma dessas ocasiões, ela teria visitado o imóvel utilizado por “Batman”, que está foragido da Justiça desde 2024.Fotos e vídeos apreendidos mostram Rhavenna segurando um fuzil banhado a ouro. O material foi extraído de aparelhos eletrônicos apreendidos durante a ação conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco).Os investigadores também consideram relevantes os registros de videochamadas entre Rhavenna e lideranças criminosas foragidas. Em um dos vídeos analisados, um conselheiro do CV participa da conversa enquanto outro integrante da facção aparece efetuando disparos de fuzil em uma comunidade carioca.Operação FariseusA Operação Fariseus foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (16/7) para investigar uma família suspeita de utilizar um projeto religioso como fachada para prestar apoio ao Comando Vermelho.Segundo a Polícia Civil, os investigados aproveitavam o acesso às unidades prisionais por meio da atividade missionária para manter contato com presos da facção, transmitir recados, aproximar familiares de criminosos, movimentar dinheiro e oferecer suporte logístico à organização criminosa.Durante a operação, foi cumprido um mandado de prisão preventiva, além de mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou a quebra dos sigilos telefônico, telemático e bancário dos investigados e proibiu, temporariamente, que eles ingressem em presídios por meio de projetos religiosos.Além da suspeita de prestar apoio ao CV, a investigação também apura um esquema de lavagem de dinheiro.Conforme a corporação, valores atribuídos à facção eram movimentados por meio de contas bancárias de familiares e terceiros para ocultar a origem dos recursos. Parte do dinheiro teria sido utilizada para custear viagens, adquirir veículos e pagar procedimentos estéticos.Os investigados poderão responder, conforme a participação de cada um, pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção de menor e tortura.