Com selo obrigatório, Google e governo tentam restringir anúncios fraudulentos de produtos financeiros

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Em uma resposta ao aumento de golpes financeiros na internet, o Google e o Ministério da Justiça assinaram um acordo de cooperação técnica para restringir a exibição de anúncios de produtos e serviços financeiros no Brasil. Pelo acordo firmado nesta quinta-feira (16) apenas anunciantes que passarem por um processo de auditoria de identidade e obtiverem um “selo de verificação” oficial poderão veicular propagandas do setor no país.A medida entra em vigor imediatamente, de forma gradual, e tem o objetivo proteger o consumidor brasileiro e blindar o ecossistema digital contra fraudes, ofertas enganosas e perfis falsos, segundo o Ministério.Pelo acordo, o Google assume a tarefa de remodelar suas ferramentas de anúncios, criando travas automatizadas para rejeitar materiais de contas que não tenham a certificado oficial do setor. Já o Ministério da Justiça, por meio da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e da Secretaria de Direitos Digitais (Sedigi), vai monitorar os indicadores de proteção aos internautas e avaliar a eficácia real do mecanismo.Relatório de Segurança de Anúncios do Google mostra que a empresa derrubou 374,8 milhões de propagandas com teor fraudulento direcionadas ao público brasileiro em 2025. No mesmo período, 1,3 milhão de contas de anunciantes sediadas no país foram desativadas por descumprirem as políticas de uso da rede.O principal motivo dessas exclusões no Brasil é a deturpação, quando o conteúdo camufla o real objetivo ou o destino final do link exibido ao usuário. Em 2024, esse volume de anúncios bloqueados em território nacional ultrapassou 201 milhões, ou seja, quase dobrou o total vetado no ano passado.Além das fraudes veiculadas diretamente em sistema de busca, os golpes digitais se estendem para outras ramificações, principalmente nas redes sociais. Uma pesquisa do Observatório Lupa acompanhou os golpes de maior circulação no país entre maio de 2024 e abril de 2026, revelando que 71% dos casos ofereciam vantagens financeiras fictícias de ganho rápido. A tática de clonar marcas consolidadas ou simular o apoio de pessoas públicas para dar falsa credibilidade aos anúncios aparece em 74% das infrações registradas no período.O Pix funciona como o principal destino do dinheiro desviado nessas operações. Um terço dos conteúdos mapeados exigia pagamentos feitos somente por essa modalidade. Ao todo, a Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor (ADDP) registrou 28 milhões de incidentes de fraudes vinculadas ao Pix de janeiro a setembro de 2025. O perfil das vítimas indica ainda que as pessoas com idade acima de 50 anos são os alvos mais frequentes, representando 53% das ocorrências digitais do setor.Contexto regulatórioEm maio de 2026, começou a valer o decreto que regulamenta o Marco Civil da Internet, seguindo a decisão que o Supremo Tribunal Federal (STF) tomou em junho de 2025.Essa mudança endureceu as regras para a publicidade paga, passando às plataformas o risco civil sobre anúncios com golpes veiculados em suas estruturas. Com isso, as empresas de tecnologia perderam o respaldo que exigia uma notificação judicial prévia para a retirada de links suspeitos, tornando-se obrigadas a remover o material logo após alertas diretos feitos pelos próprios usuários.