O Sol pode esconder um perigo maior para a Terra

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Uma nova pesquisa sugere que as tempestades solares mais intensas podem provocar impactos muito maiores na Terra do que indicavam as estimativas atuais.Publicado na revista Nature, o estudo levanta um alerta para possíveis efeitos sobre satélites, redes elétricas e sistemas de comunicação.Pesquisadores sugerem que o risco das tempestades solares mais intensas pode ter sido subestimado por causa das medições do vento solar. – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)O problema pode estar nas mediçõesDurante anos, os cientistas acreditaram que existia um limite para a forma como a Terra respondia às tempestades solares mais intensas. Agora, essa ideia começa a ser questionada.O novo trabalho indica que esse “teto” pode ser resultado da maneira como o vento solar vinha sendo medido. Se isso estiver correto, os eventos mais extremos podem ser muito mais severos do que se imaginava.As tempestades solares acontecem quando ejeções de massa coronal e explosões solares lançam partículas carregadas em direção ao planeta. Em situações comuns, elas produzem auroras. Nos casos mais intensos, porém, também podem afetar tecnologias essenciais.O campo magnético do nosso planeta faz um excelente trabalho ao nos proteger contra muitos efeitos do clima espacial e, por isso, eles costumam aparecer apenas como pequenas falhas ou belas auroras. Há, no entanto, casos extremos.Maria Walach, pesquisadora da Universidade de Lancaster e coautora do estudo, em nota.Em 1989, uma tempestade solar derrubou a rede elétrica de Quebec e deixou milhões de pessoas sem energia elétrica. – Imagem: arturnichiporenko / ShutterstockO que os dados mostraramFoi justamente para testar essa hipótese que a equipe analisou mais de um milhão de medições feitas por espaçonaves da NASA posicionadas muito mais próximas da Terra.Os resultados indicaram que as correntes elétricas da alta atmosfera continuam aumentando conforme o vento solar fica mais intenso. Ou seja, o limite apontado por estudos anteriores pode simplesmente não existir.Entre os principais resultados estão:Mais de um milhão de medições foram analisadas;Tempestades solares extremas podem ser mais intensas do que se estimava;Satélites, GPS, rádio e redes elétricas estão entre os sistemas mais vulneráveis;Eventos muito raros podem provocar impactos superiores aos previstos atualmente.Segundo Walach, “felizmente, esses casos muito extremos são raros, mas isso também significa que temos poucos dados para analisar. Só o tempo dirá o que acontece em um evento extremo que ocorre uma vez a cada mil anos.”Auroras são o lado mais bonito das tempestades solares, mas os mesmos fenômenos também podem afetar tecnologias essenciais. Imagem: Vesa Vauhkonen via Spaceweather.comO passado já mostrou o tamanho do riscoA pesquisa não prevê que uma supertempestade solar esteja prestes a ocorrer. Ainda assim, ela reforça que os modelos usados hoje talvez precisem ser revistos.Leia mais:Como uma tempestade solar pode derrubar internet, GPS e energiaO céu ficou verde! Brasileiro faz fotos incríveis de aurora após explosão solarTempestade solar pode levar auroras raras a novos lugaresExemplos não faltam. O Evento Carrington, em 1859, interrompeu sistemas telegráficos em várias partes do mundo. Em 1989, uma tempestade derrubou a rede elétrica de Quebec, no Canadá. Já as Tempestades de Halloween, em 2003, afetaram satélites, GPS e comunicações por rádio.O Sol continua em fase intensaO Sol atravessa atualmente o máximo solar, período do ciclo de cerca de 11 anos em que explosões solares e ejeções de massa coronal se tornam mais frequentes.Em maio de 2024, a tempestade geomagnética mais forte em mais de duas décadas levou auroras a regiões incomuns dos Estados Unidos e da Europa, além de provocar interrupções temporárias em comunicações por rádio, equipamentos guiados por GPS e parte das operações de satélites. Apesar da repercussão, esse episódio ficou muito abaixo da intensidade do Evento Carrington e das tempestades extremas consideradas possíveis pelo novo estudo. Se essas novas estimativas estiverem corretas, compreender o comportamento do clima espacial poderá ser decisivo para proteger uma infraestrutura cada vez mais dependente de satélites e redes elétricas.O post O Sol pode esconder um perigo maior para a Terra apareceu primeiro em Olhar Digital.