O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), avançou 0,1% em maio na comparação com abril e superou a expectativa do mercado, que projetava retração de 0,2%.Apesar da surpresa positiva, economistas avaliam que o resultado não altera o diagnóstico de desaceleração gradual da economia brasileira, uma vez que outros indicadores divulgados ao longo das últimas semanas já apontavam para uma perda de ritmo da atividade no segundo trimestre.Para Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, o indicador voltou a renovar o maior nível da série histórica, mostrando que a economia permanece resiliente mesmo diante de um ambiente de juros elevados. Ainda assim, a leitura mais detalhada dos dados indica moderação no crescimento.Segundo o economista, a média móvel trimestral do IBC-Br desacelerou de 0,3% para 0,1%, enquanto os subíndices de indústria e serviços também perderam força, movimento que reforça a interpretação de que a economia começou a esfriar no segundo trimestre.A Genial, inclusive, reduziu sua projeção para o crescimento do PIB entre abril e junho de 0,5% para 0,4%, embora tenha mantido a expectativa de expansão de 2% para a economia em 2026.Na avaliação da economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Natalie Victal, o conjunto dos indicadores de maio mostra que a atividade continua resistente, ainda que em um processo esperado de desaceleração após o forte desempenho observado no primeiro trimestre.A casa também projeta crescimento de 0,5% no segundo trimestre, depois da expansão de 1,1% registrada entre janeiro e março, mantendo a previsão de alta de 2% para o PIB em 2026.O que muda para o Copom?Na avaliação dos economistas, os números desta sexta-feira não encerram o debate sobre a próxima decisão de juros do Banco Central.Para a Genial, os dados de atividade, combinados com a inflação mais comportada divulgada recentemente, ainda são compatíveis com mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14%, em agosto. Depois disso, a expectativa é de interrupção do ciclo de afrouxamento monetário.Já a SulAmérica mantém uma visão mais cautelosa. A gestora continua projetando que o Copom fará uma pausa nos cortes, mantendo a Selic em 14,25% na próxima reunião. Para Natalie Victal, a economia segue resiliente mesmo com uma taxa de juros considerada restritiva pelo próprio Banco Central, o que reduz a necessidade de novos estímulos monetários.Mercado olha além do número cheioPara Rafael Espinoso, estrategista e portfolio manager da GCB, a composição do IBC-Br foi mais positiva do que o avanço de apenas 0,1% sugere.Segundo ele, a fraqueza ficou concentrada na agropecuária, enquanto indústria e serviços continuaram crescendo. Excluindo o setor agropecuário, o IBC-Br avançou 0,2%, reforçando a percepção de que a economia doméstica segue resistente, embora em trajetória de desaceleração gradual.Na visão do estrategista, a atividade passa por uma “troca de motores”: o impulso da agropecuária perde força, enquanto a indústria volta a assumir o protagonismo e os serviços seguem em expansão, mas em ritmo mais moderado.O resultado, portanto, tende a manter o Banco Central dependente dos próximos indicadores de atividade e inflação para definir os passos da política monetária, já que o cenário continua apontando para uma economia resiliente, mas em desaceleração gradual.