A decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma sobretaxa de 25% a produtos brasileiros, oficializada na quarta-feira (15), extrapolou o campo econômico e tornou-se alvo de disputa política intensa no Brasil. O analista de Política Teo Cury explicou ao Live CNN como o tarifaço pode ser usado nas eleições de 2026.Parlamentares de esquerda e de direita trocaram acusações sobre as causas da medida. Segundo Cury, o assunto tende a ganhar ainda mais força conforme o período eleitoral se aproxima.“A gente está a menos de 80 dias das eleições de outubro e, com isso, obviamente, é um assunto que vai ser utilizado e já vem sendo utilizado pelas pré-campanhas”, disse. EUA incluem documento sobre tarifa ao Brasil em lista do diário oficial Setores cobram diálogo, mas governo vê pouca margem para negociar com EUA Reciprocidade tarifária pode piorar situação do Brasil, diz Abiplast Cury destacou que o governo Lula tem recorrido ao discurso da soberania nacional e fazendo acusações de “falsos patriotas” e “traidores da pátria”.Do outro lado, Flávio Bolsonaro (PL) utilizou uma publicação de Marco Rubio nas redes sociais para atacar a atuação do governo federal. No post, o secretário de Estado dos EUA criticou a conduta de Lula nas negociações, afirmando que o presidente teria priorizado o próprio ego em detrimento dos acordos.“O governo é muito mais criticado porque é quem tem de dar a resposta, porque é quem está no comando da máquina pública”, observou Cury.Setores da economia e da indústria também manifestaram preocupação com o viés político da resposta governamental. Segundo Cury, eles temem que os prejuízos concretos do tarifaço fiquem em segundo plano.A lista de produtos afetados inclui etanol, açúcar orgânico, máquinas agrícolas, papel e vestuário, que são itens de grande relevância para a economia brasileira.Entre as alternativas apontadas pelo governo para minimizar os efeitos do tarifaço estão a diversificação de mercados e a aplicação da Lei da Reciprocidade.“Há um temor sobre o uso político dessa lei e de que os Estados Unidos ampliem a retaliação a partir do momento em que a lei, que é legítima, aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente, seja colocada em prática”, observou Cury.Estratégia diplomáticaEm resposta às críticas de Rubio, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enumerou publicamente o volume de contatos mantidos entre os dois países.“Desde março de 2025, o governo brasileiro manteve mais de 30 reuniões presenciais, virtuais ou por telefone, nos níveis presidencial, ministerial e técnico, com autoridades norte-americanas”, declarou Vieira.Segundo o ministro, somente com Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, e com Marco Rubio foram realizados 11 contatos, incluindo reuniões entre os presidentes.Cury destacou que a estratégia do Itamaraty foi a de concentrar as críticas na figura de Rubio, evitando atacar diretamente Donald Trump. Essa abordagem, segundo o analista, tem como objetivo preservar o espaço para que as negociações continuem abertas.“Quando há menção a Trump, menciona a atuação do governo dos Estados Unidos, mas não critica Trump em nenhum momento. Esse é um ponto importante porque deixa em aberto um espaço para negociação”, explicou o analista. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.