O investigador on-chain ZachXBT, um dos nomes mais conhecidos no rastreamento de golpes e roubos com criptomoedas, fez um alerta duro contra o uso de carteiras físicas para guardar grandes valores ou assinar transações críticas. Em publicação em um grupo do Telegram, ele afirmou que as atuais hardware wallets são “um lixo completo” e disse que, para alguns usuários, um iPhone separado e usado apenas para gerenciar criptoativos pode ser uma opção melhor.Na mensagem, ZachXBT afirmou que não recomenda o uso de carteiras físicas para tarefas importantes, como assinar transações ou armazenar fundos relevantes. Ele citou especificamente a Ledger, uma das maiores fabricantes do setor, dizendo que a empresa seria “a pior” e criticando atualizações frequentes do Ledger Live, aplicativo usado para gerenciar ativos nos dispositivos da marca, que segundo ele quebrariam funcionalidades simples.O comentário chamou atenção porque vai contra uma recomendação comum no mercado cripto. Hardware wallets costumam ser apresentadas como uma das formas mais seguras de autocustódia, porque mantêm as chaves privadas em um ambiente separado do computador ou celular conectado à internet. A própria Ledger afirma que seus dispositivos armazenam chaves privadas em ambiente offline e usam um chip de segurança dedicado, conhecido como Secure Element.A crítica de ZachXBT, porém, mira menos a ideia de autocustódia em si e mais a experiência prática e os riscos operacionais desses dispositivos. Em cripto, um erro ao assinar uma transação, aprovar um contrato malicioso ou usar um aplicativo com falhas pode resultar na perda permanente dos ativos. Por isso, usuários mais avançados costumam separar carteiras para diferentes finalidades, evitar assinar operações relevantes em dispositivos de uso diário e revisar permissões antes de interagir com protocolos.Investigações de ZachXBTZachXBT é um investigador pseudônimo especializado em rastrear movimentações de criptoativos em blockchain e expor golpes, hacks, rug pulls e esquemas de lavagem de dinheiro. Ele publica investigações principalmente no X e ganhou influência no setor ao identificar fluxos de recursos roubados, carteiras ligadas a criminosos e conexões entre ataques diferentes.A Wired descreveu ZachXBT como um dos detetives independentes mais prolíficos do mercado cripto. Segundo a reportagem, suas investigações ajudaram na recuperação direta de cerca de US$ 210 milhões em recursos criminosos e tiveram participação indireta em outros US$ 225 milhões recuperados ou apreendidos.Em fevereiro de 2025, ele passou a atuar como consultor de resposta a incidentes da Paradigm, uma das principais gestoras de venture capital focadas em cripto. Na ocasião, a empresa afirmou que ZachXBT já havia ajudado vítimas a recuperar mais de US$ 350 milhões em hacks e golpes.A fala sobre carteiras físicas também aparece em um contexto de críticas recorrentes à experiência de segurança em cripto. Mesmo dispositivos feitos para autocustódia podem ser afetados por riscos externos, como golpes de phishing, contratos maliciosos, ataques de clipboard e erros de verificação de endereço. Um estudo acadêmico sobre o ataque EthClipper mostrou, por exemplo, que hardware wallets podem ser expostas a golpes que exploram a dificuldade dos usuários em conferir endereços longos manualmente, ainda que a chave privada continue protegida no dispositivo.A Ledger já enfrentou resistência da comunidade em outros momentos. Em 2023, a empresa foi criticada após anunciar o Ledger Recover, serviço opcional para recuperação de chaves privadas. Parte dos usuários questionou a decisão por entender que o recurso poderia enfraquecer a percepção de autocustódia total, embora a empresa tenha afirmado que o sistema foi desenhado para não permitir que uma única parte acesse as chaves completas.O alerta de ZachXBT não significa que carteiras físicas sejam necessariamente inseguras para todos os usuários. Mas reforça uma discussão mais ampla: em cripto, a segurança não depende apenas do dispositivo escolhido, mas também da forma como ele é usado, das atualizações de software, da separação entre carteiras, da revisão das transações e da disciplina operacional de quem controla os ativos.Para investidores comuns, a mensagem central é que a autocustódia exige cuidado. Guardar criptomoedas fora de corretoras pode reduzir alguns riscos, mas também transfere para o usuário a responsabilidade por proteger senhas, frases de recuperação, dispositivos e permissões. No caso de valores altos ou operações críticas, a recomendação de ZachXBT é tratar a segurança como uma estrutura dedicada, e não apenas como a compra de uma carteira física.Procurando uma alternativa para aumentar seus ganhos? A Renda Fixa Digital do MB é a solução: até 18% de ganho ao ano, risco controlado e a segurança que seu dinheiro merece. Conheça agora!O post Carteiras físicas de criptomoedas são um lixo, diz famoso investigador on-chain apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.