A pesquisa eleitoral Nexus/BTG, divulgada na quarta-feira (15), aponta uma queda de 10 pontos percentuais nas intenções de voto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre beneficiários do Bolsa Família para as eleições de 2026.Na outra ponta, o principal adversário de Lula na disputa, Flávio Bolsonaro (PL), registrou alta de 12 pontos percentuais no mesmo segmento do eleitorado. Já a parcela de entrevistados que declarou voto em branco, nulo ou em nenhum dos dois candidatos cresceu 4 pontos percentuais. Tarifaço dos EUA: Fiemg alerta para perda de competitividade da indústria Como funciona a escala de risco e retorno nos investimentos? Lula edita decreto que regulamenta Programa Brasil Semicondutores Segundo o cientista político Lucas de Aragão, sócio da Arko Advice, o levantamento, realizado entre os dias 10 e 12 de julho, reflete um eleitor que já não considera políticas de caráter populista suficientes para orientar decisão de voto, especialmente diante de um cenário econômico desafiador.“Hoje o eleitorado se preocupa com outros assuntos, além de haver um cansaço em relação a Lula. A população vem se mostrando preocupada com aspectos econômicos do país, como a inflação, o preço dos alimentos e o custo de vida em geral”, afirma.Embora o IPCA tenha registrado alta de 0,16% no último mês — influenciado pela desaceleração dos preços dos alimentos e que sinaliza um possível alívio inflacionário — Daniel Duque, pesquisador de Economia Aplicada do FGV/Ibre, ressalta que a inflação acumulada entre 2023 e 2026 já supera os 15%.Na avaliação do economista, beneficiários do Bolsa Família podem estar mais insatisfeitos com os resultados das políticas econômicas adotadas pelo governo ao longo desse período.Além disso, Duque destaca que, desde o início do atual mandato, o Bolsa Família não recebeu reajustes. “Também tem sido realizado um pente-fino lento, mas consistente, entre os beneficiários do programa, o que tem provocado impacto financeiro sobre essas famílias”, explica.Na visão de Aragão, soma-se a isso o fato de que o Bolsa Família deixou de ser visto como uma política vinculada a um governo específico e passou a ser percebido como uma política de estado. “Depois de Lula e Dilma, os governos que sucederam o PT não extinguiram os programas sociais.”O que não significa, no entanto, que as políticas sociais tenham perdido relevância. O atual adversário de Lula, Flávio Bolsonaro, afirmou durante o período pré-eleitoral que manterá o Bolsa Família caso seja eleito.Os dados da pesquisa também sugerem que o eleitorado está menos suscetível a ser influenciado apenas por propostas de campanha.Nóbrega: Previdência e Bolsa Família confirmam cenário insustentável | ABERTURA DE MERCADONa avaliação de Aragão, iniciativas anunciadas pelo governo Lula neste ano, como o Desenrola 2.0, o Move Brasil, o Gás do Povo e a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês, não foram suficientes para impulsionar a popularidade do presidente.De acordo com o cientista político, o eleitor se tornou mais “complexo” e passou a considerar um conjunto maior de fatores na hora de escolher um candidato. Para ele, esse movimento também ajuda a explicar o crescimento das intenções de voto em Flávio Bolsonaro e em outros nomes da direita.“Desde 2022, temos observado um avanço da centro-direita em regiões que, até então, eram redutos eleitorais do PT”, afirma.A pesquisa Nexus/BTG entrevistou 2.003 eleitores por telefone entre os dias 10 e 12 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.O levantamento foi contratado pelo BTG Pactual e está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-07981/2026.Benefícios individuais chegam a 26,9% do Bolsa Família