Melatonina sintética pode auxiliar no alívio de dores crônicas

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Em uma revisão de estudo, pesquisadores sugerem que a melatonina em forma sintética, além de ajudar no sono, pode ser prescrita também para aliviar a dor. Com base em 23 ensaios clínicos anteriores, uma nova pesquisa da Universidade de Sydney, na Austrália, publicada na revista Pain em 30 de junho, analisou a relação entre o hormônio e a dor crônica.Produzida naturalmente pelo corpo humano, principalmente pela glândula pineal no cérebro, a melatonina tem papel essencial para induzir o sono. Ela desencadeia alterações químicas, enviando mensagem às células do hipotálamo, localizado na base do cérebro, apontando que está na hora de desacelerar e descansar o corpo.Além de ser benéfica para o sono, pesquisadores identificaram evidências de que as alterações cerebrais provocadas pelo hormônio sintético podem aliviar a dor também. Porém, a maior parte desses indícios provém de estudos realizados com animais e não com humanos. Leia também SaúdeMédicos dizem que uso de melatonina pode ser arriscado a longo prazo SaúdeAumento na busca por melatonina revela dificuldade para dormir melhor SaúdeDores crônicas podem piorar no inverno e exigem cuidados redobrados Vida & EstiloMédica fala sobre relação entre álcool, café e dores crônicas O que sugere o novo estudoA conclusão da revisão dos ensaios é de que a melatonina alivia as dores musculoesqueléticas crônicas, que afetam músculos, ossos, articulações, tendões e ligamentos.Segundo o estudo, em alguns casos, ela foi tão eficaz quanto medicamentos já utilizados para alívio de dores, como opioides, anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e paracetamol.A pesquisadora musculoesquelética Kangchao Wu, da Universidade de Sydney, que liderou o estudo, destaca que pelo fato de a melatonina ser barata e estar presente em muitas residências é uma boa opção, além de ser segura.“O que é empolgante é que a melatonina também pode ajudar a controlar a dor crônica, abrindo caminho para reduzir a dependência de medicamentos que apresentam mais riscos”, relata.O novo estudo apresenta importantes descobertas sobre o uso da melatonina sintética para dor crônicaAlívio de dores crônicas: mostrou-se eficaz no combate a dores musculoesqueléticas, como lombalgia, osteoartrite e fibromialgia, além de sua conhecida função indutora do sono.Eficácia comparável a medicamentos: em determinados casos analisados, o hormônio foi tão eficiente para aliviar a dor quanto analgésicos e anti-inflamatórios tradicionais.Análise com mais de 2 mil pacientes: a descoberta é fruto de uma revisão que analisou dados de 23 ensaios clínicos anteriores, envolvendo 2.028 participantes de vários países.Tratamento seguro e acessível: a melatonina é considerada uma alternativa barata e segura para uso em curto prazo.Resultados da revisão dos ensaios clínicosPara analisar a eficácia da melatonina foram revisados ensaios clínicos que reuniram dados de 2.028 participantes de diversos países, com dores lombares, osteoartrite e fibromialgia. Assim, algumas pessoas receberam tratamentos com melatonina, outras com placebo e outras com medicações específicas para dor.Os resultados identificaram que, em média, a melatonina foi capaz de reduzir a dor em cerca de 9 pontos, baseada numa escala de medição de 0 a 100. Além disso, a melatonina é considerada segura e bem tolerável, quando usada em curto prazo, período equivalente a cerca de um e dois meses.De acordo com os pesquisadores, apesar de os ensaios terem sido feitos individualmente, foi constatada uma ligação significativa entre a melatonina e a dor.“Descobriu-se que a melatonina é eficaz na redução da intensidade da dor e na melhoria da qualidade do sono em várias condições crônicas de dor musculoesquelética, independentemente do tipo de comparação”, escrevem os pesquisadores.Porém, em participantes pós-cirúrgicos não foi observada diferença no uso da melatonina. Outro ponto foi que, como efeitos colaterais, alguns participantes relataram náuseas, dores de cabeça e tonturas. Ela não é recomendada para gestantes e lactantes.Mas os pesquisadores alertam que, devido à complexidade das dores crônicas, é preciso levar em consideração que ela possa funcionar apenas para algumas pessoas.