Boulos diz que lei da reciprocidade será aplicada ‘se necessário’

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O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, disse nesta quinta-feira (16) que a lei da reciprocidade será aplicada se for necessário, após a tarifa de 25% dos EUA imposta sobre o Brasil. “O que o presidente Lula autorizou foi o início dos estudos técnicos para ver se é o caso ou não de aplicá-la”, explicou o ministro em entrevista à Jovem Pan.Ele infomou ainda que o governo já definiu, porém que a reciprocidade precisa ser aplicada. “Independentemente da reciprocidade comercial, estamos falando da reciprocidade como dois países soberanos”, destacou.Em recentes depoimentos, o presidente Lula (PT) tem dito sobre a soberania do Brasil e Boulos reafirmou. “Lula sempre colocou: soberania não está na mesa e não estará. O Brasil não vai abrir mão de decidir sobre o seu próprio destino”.Por fim, Boulos disse ainda que, para os EUA do governo Trump, a América Latina é o “quintal”. “Para ele, ou se ajoelha ou eles sancionam”, finalizou o ministro.Acompanhe a reportagem completa:Tarifa de 25%Na madrugada desta quinta, os Estados Unidos anunciaram a tarifa adicional de 25% a diversos produtos brasileiros. Entretanto, foram excluídos da lista o etanol, a carne bovina e o café.A aplicação de sobretaxa foi tomada sob a autoridade da Seção 301. Em conversa por telefone com jornalistas, o chefe do USTR, Jamierson Greer, disse que a investigação concluiu que o Brasil adotou uma série de medidas consideradas injustas aos interesses norte-americanos.Entre os principais problemas indicados pelos Estados Unidos estão:Ordens judiciais sigilosas que obrigaram empresas de tecnologia norte-americanas a remover conteúdos políticos, inclusive de um presidente;Multas diárias elevadas e ameaças de interrupção total das operações das plataformas no Brasil;Favorecimento ao sistema Pix, tratado como “campeão nacional” do Banco Central, gerando desvantagem competitiva para empresas norte-americanas de pagamentos;Concessão de tarifas preferenciais para Índia e México, sem reciprocidade aos produtos norte-americanos;Falhas no combate à corrupção;Impactos do desmatamento ilegal que prejudicam produtores agrícolas dos Estados Unidos.Greer sinalizou dificuldades nas tratativas com o Brasil. “Estamos tentando há mais de um ano negociar com o governo brasileiro. Fizemos diversas ofertas e apresentamos diversas propostas, mas não obtivemos resposta satisfatória”, declarou.O chefe do USTR chamou a postura brasileira de “excesso de declaração de intenção”. Segundo Greer, o Brasil se colocou à disposição para discutir todos os temas, mas que, para o governo norte-americano, não representava “uma concessão”.