Ministro: EUA pediram restrição a investimentos em terras raras no Brasil

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O ministro do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quinta-feira (16) que os Estados Unidos pediram formalmente ao Brasil a adoção de medidas para limitar certos investimentos estrangeiros em projetos de minerais críticos e terras raras.Segundo o ministro, a proposta buscava restringir aportes feitos por “atores não orientados pelo mercado” e por determinadas entidades estrangeiras, seguindo modelos adotados pelos próprios Estados Unidos e pela Austrália. O governo brasileiro, porém, rejeitou o pedido.“Em uma das rodadas de negociação, o que nos foi solicitado foi que nós fizéssemos medidas que pudessem limitar investimentos de atores não orientados pelo mercado e entidades estrangeiras, a exemplo do que eles fizeram em outros países, como Austrália e Estados Unidos. Isso chegou a nos ser apresentado formalmente, e obviamente não aceitamos”, disse.“E não aceitaremos, porque as terras raras e os minerais críticos pertencem ao povo brasileiro”, acrescentou. Leia Mais Vale adota novo sistema de segurança operacional para ferrovias Após pressão interna, tarifaço dos EUA poupa ferro-gusa e minerais críticos Ibram discute imposto seletivo com a Fazenda e pede alíquota zero Rosa não detalhou quais países ou empresas seriam atingidos pelas restrições nem quais instrumentos foram sugeridos pelos americanos. O pedido, no entanto, ocorre em meio à disputa dos Estados Unidos para reduzir a dependência da China na produção e no processamento de minerais usados em setores como defesa, energia, eletrônicos e fabricação de baterias.A declaração foi dada um dia após o USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) oficializar uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros vendidos ao mercado americano. A cobrança entra em vigor em 22 de julho.Apesar da ofensiva comercial, Washington manteve fora da sobretaxa uma ampla relação de minerais considerados estratégicos, como minério de ferro, grafite, nióbio, terras raras, cobre, níquel, cobalto e produtos de lítio. O ferro-gusa, que não aparecia na relação preliminar, também foi incluído entre as exceções na decisão final.Na prática, os Estados Unidos decidiram pressionar o Brasil em diferentes frentes comerciais, mas evitaram encarecer matérias-primas minerais das quais a indústria americana depende.Ao justificar as exceções, o USTR afirmou que a aplicação da tarifa poderia gerar falta de oferta doméstica, problemas de abastecimento e impactos mais amplos sobre a economia do país.