O BTG Pactual afirma que a Ambev (ABEV3) deve anunciar um novo programa de recompra de ações junto com os resultados do 2T26, previstos para 30 de julho. A iniciativa acompanha uma estratégia já adotada pela companhia desde outubro de 2025, quando lançou seu atual plano de recompra estimado em até 208 milhões de ações.A expectativa do banco se baseia no fato de a Ambev estar perto de alcançar o limite autorizado pelo programa vigente. Entre março e junho, a companhia adquiriu 169 milhões de papéis por R$ 2,7 bilhões. O BTG estima que, apenas em julho, a empresa tenha comprado mais 25 milhões a 30 milhões de ações, o equivalente a cerca de R$ 430 milhões.Com isso, o total recomprado chegaria a aproximadamente 200 milhões de ações, ou R$ 3,1 bilhões, muito perto do teto de 208 milhões previsto no programa atual. O banco calcula um “buyback yield” de cerca de 1,3%.Segundo o relatório, a expectativa é de que o retorno total de caixa aos acionistas em 2026 supere 100% do lucro líquido, sustentado por uma geração de fluxo de caixa livre (FCF) acima dos ganhos contábeis.O banco destaca ainda que a Ambev opera com ciclo de conversão de caixa negativo, o que significa que o crescimento das operações pode liberar capital de giro. Na avaliação do BTG, esse deve ser justamente o caso neste ano.Além disso, a instituição aponta que a empresa encerra o período com caixa líquido equivalente a cerca de 0,5 vez o Ebitda, o que reduz a necessidade de continuar acumulando recursos no balanço.Nesse cenário, o BTG avalia que as recompras de ações podem estar indo além da simples distribuição do excesso de caixa aos acionistas. Para o banco, a estratégia também pode ter se tornado atrativa após o início da taxação de 10% sobre dividendos enviados ao exterior, o que afeta a AB InBev, controladora da companhia.Embora as recompras não transfiram recursos diretamente para a controladora, elas aumentam sua participação relativa na Ambev ao reduzir o número de ações em circulação. Com isso, a AB InBev pode se beneficiar do ganho de valor por ação sem estar sujeita à tributação sobre os dividendos, diz o banco.