A aprovação da Medida Provisória do Frete na terça-feira (14) encerrou uma corrida contra o tempo, mas deixou insatisfação generalizada. Segundo a analista de Infraestrutura da CNN Jenifer Ribeiro, ao WW, o desenho final da medida não agradou nenhuma das partes envolvidas — nem os caminhoneiros, nem o setor produtivo, nem o agronegócio, nem a indústria.“Não, não agradou ninguém, para ser bem sincera”, afirmou Jenifer. “Muita gente está descontente, tanto o setor privado, o setor produtivo, o agro, a indústria, quanto os caminhoneiros, mas esse foi o acordo possível“.Uma MP às vésperas de caducarA urgência na aprovação da medida foi determinante para o resultado. De acordo com Jenifer Ribeiro, a MP estava prestes a perder sua validade em dois dias, o que limitou consideravelmente o espaço para negociações mais amplas.“A gente está falando de uma MP que ia caducar, uma MP que ia perder a validade daqui a dois dias. Não tinha muito o que fazer. Se quisessem aprovar, de fato, não tinha muito o que fazer”, explicou Jenifer.Com a aprovação no Senado e o encaminhamento para sanção presidencial, a analista destacou ainda que não há mais previsão de novas paralisações por parte dos caminhoneiros. “Exceto se a gente tiver um revés muito grande nos vetos, o que não está previsto, não existe possibilidade de novas paralisações”, ressaltou. Leia mais Análise: MP do Frete preserva piso mínimo, mas reduz punições ao privado Senado aprova MP do Frete Mínimo que beneficia caminhoneiros PMs e caminhoneiros entram em confronto durante greve no litoral de SP O que os caminhoneiros conquistaramEntre as principais conquistas dos caminhoneiros está a manutenção do CIOT — código identificador que registra o que será transportado, o destino da carga e, sobretudo, o valor mínimo do frete. Segundo Jenifer, a emissão desse código, assim como o transporte em si, não poderá ocorrer caso o valor mínimo não seja respeitado, o que garante uma previsibilidade ao setor.Outra conquista relevante para os transportadores autônomos foi a previsão de antecipação de 70% do valor do frete antes do início do transporte, com os 30% restantes sendo pagos até três dias após a entrega da carga.“Os caminhoneiros, os autônomos, falavam que não tinham dinheiro, não tinham como fazer esse transporte de carga se eles não tivessem ali uma parte do valor antecipado para poder pagar a gasolina, enfim, para poder comer”, explicou a analista.Concessões ao setor produtivoPor outro lado, o setor produtivo conseguiu negociar punições mais brandas em relação ao texto original da MP. A multa prevista inicialmente era de R$ 10 milhões e foi reduzida para R$ 1 milhão.Além disso, houve alterações nas regras sobre o número de infrações necessárias para que uma empresa seja considerada devedora contumaz — o que, na prática, dificulta a perda do registro de transporte.“No final das contas, nós temos um acordo possível e que todo mundo saiu ganhando, mas todo mundo saiu perdendo“, afirmou Jenifer Ribeiro. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.