O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (14/7) que o governo brasileiro considera provável retomar o processo de aplicação da Lei de Reciprocidade caso os Estados Unidos (EUA) confirmem a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros.Segundo o ministro, a medida dependerá de aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas já está no radar da equipe econômica diante da possibilidade de uma nova rodada do tarifaço.“A gente chegou a suspender a tramitação do processo de reciprocidade. Com isso agora, acho que é provável que a gente, uma vez consultado o presidente Lula, retome o processo”, disse Durigan na portaria do Ministério da Fazenda, em Brasília.A Lei da Reciprocidade permite ao Brasil adotar medidas equivalentes contra países que imponham barreiras unilaterais a produtos nacionais. Leia também BrasilDurigan não descarta nova MP de apoio a setores se tarifaço se confirmar Grande AngularIndústria química alerta Trump, em carta, que tarifaço ajudará a China MundoGoverno Lula entra em semana decisiva de tarifaço sem acordo à vista BrasilEmpresários de Brasil e EUA pedem mais tempo para negociar tarifaço O governo brasileiro ainda aguarda a definição oficial sobre a aplicação das tarifas. O prazo para a decisão americana se encerra nesta quarta-feira (15/7). Durigan ressaltou que a reação será calibrada com cautela e dependerá da confirmação da medida e dos setores eventualmente atingidos.“A gente precisa primeiro avaliar se, de fato, se confirma mais essa medida para avaliar quais são os setores afetados”, afirmou.Enquanto isso, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) mantém diálogo com representantes americanos na tentativa de evitar a escalada da disputa comercial.Além da reciprocidade, a equipe econômica também não descarta adotar medidas de apoio às empresas brasileiras afetadas, caso o tarifaço se concretize.Entre as alternativas está a edição de uma nova Medida Provisória (MP) nos moldes do programa Brasil Soberano, criado anteriormente para compensar perdas de exportadores. A estratégia, segundo o ministro, será mitigar os impactos sobre a economia brasileira, evitando uma resposta precipitada enquanto ainda há espaço para negociação.EntendaOs Estados Unidos ameaçaram aplicar uma taxa de 25% contra exportações brasileiras após investigação da Escritório do Representante de Comércio (USTR) sobre práticas comerciais brasileiras que poderiam impactar os EUA.Além disso, o governo americano sugeriu a aplicação de uma nova tarifa relaciona a relatos de trabalho escravo no Brasil, a taxação proposta é de 12,5%, que seria somada a taxa anunciada anteriormente, totalizando tarifas de 37,5% para alguns produtos.