A polícia encontrou, nesta sexta-feira (17), o corpo da cozinheira identificada como Berenice Ramos de Aguiar, de 60 anos, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. A mulher estava desaparecida desde o dia 30 do último mês em Ubatuba, no litoral Norte de São Paulo.Para a polícia, a principal suspeita do crime é a comerciante Eliane Alves dos Santos, de 46 anos, ex-patroa da vítima. Ela foi presa temporariamente no último dia 8 de julho e permanece detida.A localização do corpo da vítima foi feita após uma força-tarefa da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de São Sebastião, com apoio do 3º Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia) de São José dos Campos e da Polícia Civil do Rio de Janeiro.Veja imagens das buscas pela vítimahttps://admin.cnnbrasil.com.br/wp-content/uploads/sites/12/2026/07/WhatsApp-Video-2026-07-18-at-13.09.23.mp4 Leia Mais Rainha da Sucata: veja como está o prédio que Dona Armênia queria "na chon" Justiça decreta prisão de médico por morte após harmonização nos glúteos Ex-vereadora que ficou tetraplégica após bala perdida morre no Rio Entenda o casoBerenice trabalhava e morava há cerca de quatro meses em uma pousada e também mercado, de propriedade de Eliane, localizada no bairro de Ubatumirim, em Ubatuba.O conflito entre as duas teria começado por divergências na rescisão trabalhista, depois que Berenice pediu demissão do emprego. Na ação, a vítima cobrou cerca de R$5 mil em direitos, valor que a suspeita teria se recusado a pagar.O cenário se agravou quando Eliane passou a suspeitar que Berenice furtava mercadorias do estabelecimento. Na tarde do dia 30 de junho, testemunhas relataram em denúncias anônimas recebidas pela polícia que teriam presenciado uma discussão “acalorada” e agressões físicas entre Berenice e a ex-patroa.Os relatos indicam que Eliane agrediu a vítima, momento em que Berenice gritou por socorro. Na ocasião, uma vizinha chegou a ir até o imóvel e encontrou Eliane com uma marca avermelhada no rosto, semelhante a um arranhão.Dinâmica do ocorridoDe acordo com o inquérito policial, no dia do desaparecimento de Berenice, Eliane contou com a ajuda de um primo para forçar Berenice a entrar em uma caminhonete, uma Nissan Frontier preta.Em relato à pessoas próximas, o primo de Eliane teria afirmado que a ex-patroa atirou nas costas da cozinheira ainda dentro do veículo, momento em que a vítima veio a óbito.O corpo foi levado em direção ao estado do Rio de Janeiro, onde foi deixado na divisa entre a cidade de Ubatuba (SP) e Paraty (RJ).Leia também: Homem encontrado em mala morava no mesmo residencial de mulher morta em SCO desaparecimento da vítima foi registrado no dia último dia 2 pelo filho da vítima, que estranhou a falta de contato da mãe, que costumava falar diariamente com a família. Além disso, ele notou a inatividade no celular da mãe desde 30 de junho, dia do desaparecimento.Em seu depoimento inicial, Eliane negou qualquer desentendimento e alegou que fez um acordo amigável com Berenice, quando teria pagado R$2.600 em espécie a ela, sem recibo. Na ocasião, a ex-patroa ainda afirmou que ofereceu uma carona para Berenice até o centro de Ubatuba.Segundo a suspeita, a vítima teria mudado de ideia no caminho e pedido para ser deixada no trevo de Ubatumirim com as malas. Além disso, o companheiro de Eliane chegou a comentar com familiares da vítima que o local onde ela foi deixada era “perigoso” e “frequentado por assaltantes do Rio de Janeiro”.Laudo do IML confirma que corpo encontrado em sítio é de PM desaparecido | CNN NOVO DIAInvestigaçõesDurante as investigações, a Polícia Civil cruzou os dados da caminhonete da suspeita com o sistemas de monitoramento viário e descobriu que o veículo seguiu no trajeto inverso ao declarado por Eliane.Radares registraram quando a caminhonete passou por Camburi, bairro localizado em São Sebastião, também no litoral paulista, às 16h39 e chegou à altura de Paraty (RJ) às 17h13. No entanto, os registros de monitoramento apontaram que o veículo retornou para Ubatuba apenas às 22h14 do mesmo dia.Para a Polícia Civil, a janela de tempo e o trajeto coincidiram com as denúncias anônimas sobre o local onde o corpo de Berenice teria sido deixado.A investigação também descobriu que, no dia 2 de julho, logo após ser ouvida, Eliane começou a circular com o veículo fora do litoral paulista, quando a caminhonete passou pelo Vale do Paraíba, em cidades como Jacareí e Taubaté, no interior de São Paulo.Além disso, a suspeita dificultou a entrega das imagens das câmeras de segurança do comércio dela, o que fez com que policiais fossem ao local apreender fisicamente o equipamento de gravação.Prisão da suspeitaNo dia 8 de julho, a Justiça de São Paulo decretou a prisão temporária de Eliane por 30 dias. Além disso, a autoridade judicial também expediu mandados de busca e apreensão para a casa da empresária e do primo dela, quando também autorizou a quebra de sigilos telemáticos e telefônicos.As investigações do caso seguem em andamento e aguardam os laudos periciais. A CNN Brasil não localizou a defesa dos citados e o espaço segue aberto para manifestações.