Com demanda global em alta, Brasil quer abrir frente no urânio com setor privado

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(Bloomberg) — O Brasil planeja abrir seu setor de mineração de urânio ao investimento privado, permitindo parcerias com empresas, desde que a estatal nuclear mantenha ao menos 20% de participação em cada empreendimento, segundo uma minuta de regulamentação vista pela Bloomberg.Pela proposta, a Indústrias Nucleares do Brasil (INB), empresa estatal que hoje detém o monopólio sobre o ciclo do combustível nuclear no país, poderia abrir chamadas para exploração mineral conjunta. Também poderia se associar a empresas privadas para minerar, processar, industrializar e vender urânio e outros minerais nucleares.O plano está atualmente em análise na Casa Civil e no Ministério de Minas e Energia, e ainda pode sofrer alterações. O conteúdo foi noticiado pela primeira vez no fim do mês passado pela Agência iNFRA.Porta-vozes da INB e do Ministério de Minas e Energia se recusaram a comentar. A Casa Civil não respondeu aos pedidos de comentário. Em entrevista coletiva no início deste mês, o secretário especial Roberto Garibe disse que o governo ainda avalia as implicações de algumas das medidas propostas e espera chegar em breve a uma posição.Leia tambémA nova aposta bilionária da Huawei passa pela energia e pelo BrasilProjeto em Fernando de Noronha ilustra a estratégia da companhia de usar mercados emergentes para expandir seu braço de energiaO etanol brasileiro faz sua estreia no transporte marítimo e abre novo mercadoPrimeiro porta-contêineres abastecido com combustível brasileiro sai de Santos e testa o potencial do país na descarbonização marítimaSegundo a versão atual da minuta, o parceiro privado arcaria com os custos de investimento do projeto. Também poderia ficar com o controle da operação caso a contribuição da INB com ativos minerários fosse inferior ao capital necessário para desenvolver o projeto.Os detentores de direitos minerários teriam 12 meses, após a entrada em vigor do decreto, para informar a descoberta de substâncias nucleares em suas áreas concedidas. Depois disso, teriam de firmar parceria com a INB ou fornecer o minério à estatal. O descumprimento pode levar à retomada, pelo governo, dos direitos de exploração mineral, de acordo com o plano.A medida deve ajudar a impulsionar a exploração e a produção de urânio no Brasil em um momento em que o mercado global se aperta diante da retomada da energia nuclear. Países vêm estendendo a vida útil de reatores antigos e construindo novos para atender ao aumento da demanda por eletricidade e às metas de descarbonização.“A produção global de urânio ficou abaixo da demanda no ano passado”, disse o presidente da INB, Tomás Albuquerque Figueiredo, em entrevista em maio. “Com o declínio da produção das minas existentes, novas minas serão essenciais para abastecer os cerca de 70 reatores que devem entrar em operação.”O Brasil detém cerca de 3% das reservas mundiais de urânio, mas produz apenas uma pequena quantidade de combustível para reatores nucleares, segundo a World Nuclear Association. Sua produção não é suficiente para abastecer os dois reatores nucleares do país, a oeste do Rio de Janeiro.A estratégia da INB inclui retomar a exploração mineral, ampliar a produção de yellowcake e completar o ciclo do combustível nuclear no país. A companhia quer dobrar a capacidade de produção de concentrado de urânio para 800 toneladas por ano em sua unidade de Caetité, na Bahia, atualmente a única mina de urânio em operação na América do Sul.“A ideia é trazer parceiros privados para dividir o risco com a INB e preparar a companhia para a demanda futura”, disse Figueiredo em maio.Na ocasião, o executivo afirmou que empresas da China, França, Rússia e Canadá procuraram a INB para entender como poderiam participar de futuras parcerias.© 2026 Bloomberg L.P.The post Com demanda global em alta, Brasil quer abrir frente no urânio com setor privado appeared first on InfoMoney.