Demis Hassabis sugere entidade de fiscalização para IAs avançadas (foto: John Sears/Wikimedia) Resumo O CEO do Google DeepMind, Demis Hassabis, sugere que os EUA liderem uma entidade internacional para fiscalizar modelos de IA.A entidade avaliaria riscos e poderia recomendar que novas tecnologias fossem adiadas pela indústria, mirando os chamados modelos de fronteira.O governo dos EUA já supervisiona empresas de IA do país, tendo barrado novos modelos da Anthropic e OpenAI.O CEO do Google DeepMind, Demis Hassabis, defendeu a criação de uma entidade internacional, liderada pelos Estados Unidos, para fiscalizar modelos avançados de inteligência artificial antes de se tornarem públicos. Hassabis apresentou a ideia em um artigo de opinião no LinkedIn em que afirma que a força técnica, econômica e científica do país no setor de IA justificaria o comando da entidade. A instituição avaliaria riscos e poderia recomendar que novas tecnologias fossem adiadas pela indústria. A proposta mira os chamados modelos de fronteira, nome usado para sistemas mais avançados, com capacidade de executar tarefas complexas e potencial impacto em áreas como segurança, economia, ciência e informação. O vencedor do Nobel de Química sugere uma estrutura inspirada em entidades já existentes, reunindo cientistas independentes e representantes de comunidades de código aberto. Esse grupo ficaria responsável por avaliar riscos técnicos e possíveis impactos sociais. Se um sistema fosse considerado perigoso, a entidade poderia recomendar uma desaceleração coordenada no setor.Governo Trump já supervisiona IA nos EUAGoverno Donald Trump já controla distribuição de modelos recentes (imagem: Gage Skidmore/Flickr)Ainda que a tal entidade não exista, o governo estadunidense já supervisiona lançamentos recentes das grandes desenvolvedoras de IA do país e passou a ter a palavra final sobre a distribuição dos novos modelos.Nas últimas semanas, Anthropic e OpenAI tiveram modelos barrados pela administração de Donald Trump, pelo alto potencial de uso das ferramentas por cibercriminosos.A empresa de Sam Altman teve que adiar o lançamento do novo modelo GPT-5.6 para o público geral, o que só ocorreu na semana passada, enquanto a dona do Claude foi proibida, em meados de junho, de liberar os modelos Fable 5 e Mythos 5 para estrangeiros (mesmo aqueles que estivessem dentro dos EUA). A permissão para a expansão do uso do Fable 5 só veio neste mês, enquanto o Mythos 5 segue limitado ao uso de empresas parceiras, por decisão da própria Anthropic. Segundo o portal Axios, o chefe do Google DeepMind vem discutindo a proposta com autoridades e lideranças do setor há meses, incluindo integrantes do governo de Donald Trump. Ao portal, Hassabis disse que espera ver a organização estruturada ainda este ano, e que a recepção dentro do governo tem sido “muito positiva”.Promessa pela AGIHassabis acredita que AGI está próxima (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)Para Hassabis, a velocidade em que os modelos de IA vem evoluindo justifica a criação da entidade. Segundo ele, a inteligência artificial geral, ou AGI, pode estar a “apenas alguns poucos anos de distância”.AGI é o termo usado para descrever sistemas capazes de igualar ou superar humanos em diferentes tipos de tarefa intelectual. Ainda não há consenso sobre quando — ou se — isso será alcançado, mas a corrida para chegar até essa superinteligência faz com que a indústria gaste bilhões anualmente em infraestrutura e em novas contratações.O último ano foi bastante decepcionante para as companhias que tentaram atingir a AGI. Novos modelos como a família Llama 4, da Meta, e o próprio GPT-5, da OpenAI, não tiveram evoluções tão significativas em termos de aprendizagem.EUA deveriam fiscalizar IA no mundo todo, diz chefe do Google DeepMind