No centro de muitas galáxias, incluindo a Via Láctea, existe uma estrutura densa e compacta de estrelas girando em torno do núcleo: o disco nuclear. Esses discos são comuns no Universo próximo. Mas ninguém nunca havia visto um se formando tão cedo na história cósmica – até agora.Astrônomos da Universidade de Durham, no Reino Unido, identificaram o disco nuclear mais distante já observado, numa galáxia vista como era apenas 4,5 bilhões de anos após o Big Bang. O estudo foi publicado no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.Imagens da galáxia CEERS-4031 capturadas pelo James Webb em sete filtros diferentes do instrumento NIRCam. O painel colorido (inferior direito) combina três filtros em RGB e revela a estrutura interna da galáxia, onde o disco nuclear em formação pode ser observado ao centro. – Le Conte et al. / MNRAS / James Webb Space TelescopeO que o James Webb revelouA descoberta foi possível graças à sensibilidade e resolução sem precedentes do Telescópio Espacial James Webb. Ao examinar a galáxia CEERS-4031, os pesquisadores identificaram no seu centro um disco nuclear ativo, ainda formando novas estrelas e crescendo.O disco tem cerca de 1 quiloparsec de raio (aproximadamente 3.260 anos-luz) e compartilha as mesmas propriedades dos discos nucleares encontrados em galáxias próximas hoje. Compacto, rico em estrelas jovens e com sinais claros de crescimento organizado.O motor por trás da formaçãoO disco não se formou sozinho. Os pesquisadores identificaram uma barra estelar – uma estrutura alongada de estrelas que atravessa o centro da galáxia, comum em espirais como a Via Láctea – como o mecanismo responsável.Essas barras funcionam como motores cósmicos: empurram gás e estrelas em direção ao centro, alimentando a formação de novas estruturas. Estudos anteriores já haviam mostrado que barras podem se formar cedo no universo. Mas nenhum havia provado que elas já estavam remodelando galáxias tão cedo quanto esta pesquisa demonstra.“Esta é uma descoberta notável e inesperada que fará os astrônomos revisitarem a ideia de evolução galáctica e a influência das barras estelares no universo primitivo”, disse Zoe Le Conte, autora principal do estudo, segundo o Phys.org.Galáxias maduras antes da horaA descoberta desafia ideias estabelecidas sobre como as galáxias evoluem. O modelo tradicional sugeria que galáxias foram lentamente adquirindo estruturas internas complexas ao longo de bilhões de anos.O que este estudo mostra é diferente: galáxias não derivaram gradualmente para suas formas atuais – elas amadureceram rapidamente, seguindo trajetórias evolutivas semelhantes às das galáxias modernas, muito antes do que se imaginava.“As imagens extraordinárias e os resultados inovadores do James Webb continuam a revelar que galáxias maduras existem muito mais cedo do que pensávamos anteriormente”, completou Le Conte.A conexão com os buracos negrosA descoberta tem implicações além da formação galáctica. Discos nucleares são considerados reservatórios de gás que alimentam os buracos negros supermassivos no centro das galáxias.Encontrar um disco nuclear tão antigo (ainda ativo e em crescimento) pode ajudar os cientistas a entender como esses buracos negros cresceram durante o auge da atividade cósmica, quando o Universo formava estrelas e estruturas num ritmo muito mais intenso do que hoje.A equipe planeja observações de acompanhamento para estudar como estrelas e gás se movem dentro da galáxia – o próximo passo para confirmar exatamente como o disco se formou e com que eficiência a barra empurra material para o centro.O post Pela primeira vez, você pode ver o coração de uma galáxia se formando apareceu primeiro em Olhar Digital.