O governo dos Estados Unidos oficializou nesta quinta-feira (15) a aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre uma série de produtos brasileiros.A medida foi anunciada após recomendação do USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) e faz parte de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana.A nova sobretaxa de 25% entrará em vigor em 22 de julho de 2026 e será adicionada às tarifas já existentes sobre os produtos afetados. Leia mais EUA confirmam novo tarifaço de 25% a produtos do Brasil Se houver retaliação, vamos rever nossas ações, dizem EUA sobre tarifaço Governo dos EUA confirma isenção de tarifas para carnes e café do Brasil Washington sinaliza estar aberta a negociações com o Brasil, mas alertou que eventuais medidas de retaliação poderão levar o governo americano a rever sua postura.Veja, em cinco pontos, os principais aspectos da decisão:Investigação dos EUAA nova alíquota foi adotada após uma investigação conduzida pelo USTR, iniciada depois que o presidente americano Donald Trump anunciou, em julho de 2025, uma tarifa de 50% contra produtos brasileiros.A apuração foi realizada com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos e analisou políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, acesso do etanol americano ao mercado brasileiro e combate ao desmatamento ilegal.Segundo o órgão, a apuração identificou práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais dos Estados Unidos, levando Trump a autorizar uma ação responsiva.Pix, etanol e tarifas preferenciais como problemasO governo americano afirma que as políticas brasileiras criam condições desiguais de concorrência.Entre os principais pontos citados estão:O tratamento dado ao Pix, que, segundo o USTR, favoreceria o sistema de pagamentos em relação a empresas americanas;Barreiras ao etanol dos EUA;Regimes tarifários preferenciais concedidos pelo Brasil a países como México e Índia.Washington não pretende acabar com o Pix, mas quer que ele compita em termos igualitários com empresas americanas.DesmatamentoOutro argumento utilizado pelos EUA envolve a política ambiental brasileira.Segundo o USTR, o Brasil possui legislação para combater o desmatamento, mas falhou em aplicá-la adequadamente.Esse tema foi incluído entre os fatores que, na avaliação do órgão, contribuem para insegurança jurídica e distorções comerciais.Café e carne ficaram fora da nova tarifaApesar da nova rodada de sobretaxas, produtos como café e carne bovina não serão atingidos pela medida.Além disso, o documento do USTR prevê dezenas de exceções para produtos considerados essenciais à economia americana ou sem fornecedores alternativos suficientes, incluindo determinados produtos farmacêuticos, pescados, couros, ferro-gusa, mel orgânico, hidróxido de alumínio e componentes da indústria aeronáutica.Alerta para retaliaçõesOs EUA esperam obter acesso aos mesmos regimes preferenciais concedidos pelo Brasil a outros parceiros comerciais e defendem relações comerciais em bases de reciprocidade.Ao mesmo tempo, a autoridade comercial fez um alerta sobre possíveis respostas brasileiras.(Com informações de Daniel Rittner, João Nakamura, Gabriel Bosa, Elis Barreto e Danilo Moliterno, da CNN Brasil)