SUZB3: JPMorgan reitera preferência por Suzano em meio a riscos climáticos do El Niño

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O fenômeno climático El Niño voltou ao radar como um fator relevante para o mercado global de celulose, segundo o JPMorgan. O banco avalia que o evento pode afetar tanto as condições florestais quanto a logística de transporte entre fábricas e portos, alterando os padrões de chuva em importantes regiões produtoras.Na prática, isso pode significar maior risco de enchentes no Sul do Brasil e no Chile, além de condições mais quentes e secas no Norte e Nordeste do Brasil e na Indonésia, elevando os riscos de secas e incêndios florestais.Após vários trimestres de pressão sobre os preços da celulose, uma eventual interrupção na oferta poderia reverter essa tendência e levar a uma alta dos preços.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai e tenta sustentar os 177 mil pontosBolsas dos EUA operam mistas, com escalada de tensões com o Irã no radarBancos elevam apostas em Vibra e Ultrapar com margens acima do esperado; ações sobemJPMorgan e Morgan Stanley esperam que a rentabilidade do setor permaneça estruturalmente acima dos níveis anteriores ao conflito, especialmente para as grandes distribuidorasSuzano (SUZB3)Dentro da cobertura do banco, a Suzano (SUZB3) aparece como a empresa mais protegida e a principal beneficiária em um cenário de preços mais elevados.Na visão do banco, a companhia reúne uma combinação favorável de diversificação geográfica, ativos de baixo custo, baixa exposição às regiões mais vulneráveis às enchentes e uma rede logística mais resiliente, com múltiplos portos e opções ferroviárias.O principal risco físico da empresa está concentrado em Maranhão, relacionado a secas e incêndios florestais, mas o banco considera esse risco mais administrável do que eventos extremos semelhantes às enchentes observadas no Rio Grande do Sul.Além disso, eventuais interrupções na produção da Indonésia também poderiam reduzir a oferta global de celulose e favorecer os preços internacionais.O JPMorgan destaca ainda que a Suzano negocia a cerca de 4,4 vezes EV/Ebitda estimado para 2027, com geração de fluxo de caixa livre projetada de 18,3% em 2027. A recomendação é de compra e preço-alvo de R$ 60.Klabin (KLBN11)A Klabin (KLBN11) apresenta uma situação oposta. Suas operações de celulose e o complexo Monte Alegre estão localizados no Paraná, uma das regiões com maior risco de chuvas intensas e enchentes. Solos encharcados podem dificultar a colheita, reduzir a eficiência logística e afetar o corredor ferroviário até o porto de Paranaguá.A chilena CMPC aparece como a empresa mais exposta ao risco de enchentes. Além da fábrica de Guaíba, no Rio Grande do Sul, localizada na região mais afetada pelas inundações de 2024, a companhia possui operações no centro-sul do Chile, onde o El Niño costuma trazer invernos mais chuvosos e riscos de deslizamentos.Apesar disso, o JPMorgan ressalta que a CMPC demonstrou resiliência no último evento climático, limitando os impactos operacionais mesmo com os danos provocados pelas enchentes.Já a Copec possui ativos distribuídos entre Chile, Argentina e, futuramente, Mato Grosso do Sul, com o projeto Sucuriú, o que tende a reduzir sua sensibilidade ao fenômeno.O que é o El Niño e por que importa para o setorO El Niño é um aquecimento natural das águas do Oceano Pacífico Equatorial, que ocorre a cada dois a sete anos e altera os padrões climáticos globais.A Organização Meteorológica Mundial (WMO) estima uma probabilidade próxima de 80% de ocorrência do fenômeno entre junho e agosto de 2026 e superior a 90% até novembro. Já a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) aponta uma chance de 63% de um “super El Niño”, que poderia se intensificar durante o inverno de 2026 para 2027.Os episódios mais severos registrados ocorreram em 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016. O evento de 1997-1998 é considerado um dos mais intensos da história, com perdas econômicas globais estimadas em cerca de US$ 5,7 trilhões ao longo de cinco anos.Mais recentemente, o El Niño de 2023-2024 coincidiu com níveis historicamente baixos do Rio Amazonas e com as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024.Para o mercado de celulose, o principal risco seria um “super El Niño” afetando simultaneamente várias regiões produtoras, reduzindo a oferta global e pressionando os preços para cima.Logística pode ser o principal gargaloO banco destaca que, em um cenário de forte El Niño, os problemas logísticos podem se tornar um gargalo ainda mais relevante do que os impactos diretos sobre as fábricas.Mesmo com as operações funcionando normalmente, estradas alagadas, linhas férreas interrompidas e problemas em hidrovias podem impedir o escoamento da produção até os portos.Nesse contexto, empresas com múltiplas opções logísticas e maior diversificação portuária, como a Suzano, tendem a ser mais resilientes.Menor oferta pode levar a preços mais altos da celuloseEmbora o JPMorgan não incorpore interrupções específicas em seus modelos de oferta e demanda, o banco destaca que o setor é estruturalmente sensível a choques climáticos.Historicamente, a indústria enfrenta algum tipo de interrupção relevante de produção na maioria dos anos, e o El Niño pode ser o próximo grande fator de risco.Dentro da cobertura do banco, Suzano e CMPC são as empresas mais sensíveis aos preços da celulose de fibra curta. Cada variação de US$ 20 por tonelada nos preços representa um impacto equivalente a cerca de 5% do Ebitda dessas companhias.Já Klabin e Copec apresentam menor sensibilidade às variações de preços, devido à maior diversificação de seus negócios.The post SUZB3: JPMorgan reitera preferência por Suzano em meio a riscos climáticos do El Niño appeared first on InfoMoney.