O atraso na elevação da mistura obrigatória de biodiesel segue no radar da 3tentos (TTEN3). Para o CEO da companhia, João Marcelo Dumoncel, o Brasil já superou as dúvidas técnicas sobre a qualidade do combustível renovável e precisa avançar na implementação da lei que prevê o aumento gradual da mistura.Em entrevista ao Money Times, o executivo afirmou que a principal demanda do setor é por previsibilidade regulatória. Pela Lei do Combustível do Futuro, o país já deveria operar com a mistura B16 desde março deste ano.“Já tínhamos que estar no B16 desde março deste ano. Estamos atrasados nesse ponto e agora talvez possamos ir direto para um B17 ou fazer os dois aumentos muito próximos, o que é positivo”, disse.Na avaliação de Dumoncel, mais importante do que discutir se o próximo passo será o B16 ou o B17 é garantir segurança jurídica para que empresas possam investir com confiança.“O que a gente quer é segurança jurídica. A lei existe e tem que ser cumprida. É isso que estamos buscando.”‘Preocupação excessiva’ com o biodieselEmbora reconheça que os órgãos responsáveis avançaram nas validações técnicas, o CEO acredita que parte da demora decorreu de uma cautela além do necessário em relação à qualidade do biodiesel.“Infelizmente, a gente ainda tem, nos biocombustíveis, uma certa preocupação que eu julgo excessiva no sentido de qualidade. Hoje os biocombustíveis são mais do que testados.”Para ilustrar esse ponto, Dumoncel compara o estágio brasileiro ao de outros mercados que já adotam misturas significativamente superiores. new TradingView.MediumWidget( { "customer": "moneytimescombr", "symbols": [ [ "TTEN3", "TTEN3" ] ], "chartOnly": false, "width": "100%", "height": "300", "locale": "br", "colorTheme": "light", "autosize": false, "showVolume": false, "hideDateRanges": false, "hideMarketStatus": false, "hideSymbolLogo": false, "scalePosition": "right", "scaleMode": "Normal", "fontFamily": "-apple-system, BlinkMacSystemFont, Trebuchet MS, Roboto, Ubuntu, sans-serif", "fontSize": "10", "noTimeScale": false, "valuesTracking": "1", "changeMode": "price-and-percent", "chartType": "line", "container_id": "2c73f83"} ); “A Indonésia já está indo para B50 e nós estamos discutindo B16. Se nós tivéssemos qualquer mínimo problema, alguém estaria com B50? A Malásia está com B30, a Argentina e a Tailândia já estão acima de B10, além da Europa e dos Estados Unidos.”Segundo ele, a discussão sobre o aumento da mistura obrigatória muitas vezes deixa de ser técnica.“Às vezes, a discussão fica meio ideológica, no sentido de quem gosta e quem não gosta dessa pauta dos biocombustíveis.”Biodiesel vai além da transição energéticaNa visão do executivo, o avanço do biodiesel e do etanol não representa apenas uma agenda ambiental, mas também uma estratégia de desenvolvimento econômico e de segurança energética para o Brasil.“Acho que biodiesel e etanol são duas grandes ferramentas que o Brasil tem de industrialização, de geração de renda, de interiorização do desenvolvimento e de segurança nacional do ponto de vista energético.”Dumoncel lembra que a dependência global do petróleo continua sujeita a tensões geopolíticas e afirma que o Brasil possui uma vantagem competitiva ao contar com uma matriz energética mais diversificada.“As cadeias ligadas ao petróleo são superinstáveis em termos de geopolítica. Não é de hoje, isso acontece desde as décadas de 60 e 70. O Brasil precisa fazer essa matriz diversificada prevalecer.”O CEO também avalia que o debate sobre os biocombustíveis costuma deixar em segundo plano sua contribuição para a redução das emissões de gases de efeito estufa.“O biocombustível talvez seja o melhor guerreiro que nós temos na luta contra as emissões. Às vezes parece que as pessoas esquecem disso e focam muito no curto prazo.”TTEN3: depois da queda com o B15, vem a alta com o B16?No ano passado, as ações da 3tentos sentiram rapidamente a decisão do governo de adiar a implementação do B15. À época, os papéis chegaram a acumular queda de cerca de 13% em dois pregões, refletindo a frustração dos investidores com a interrupção do cronograma de aumento da mistura obrigatória de biodiesel.Questionado se um eventual avanço para o B16 — ou até mesmo para o B17, diante do atraso no cronograma — poderia provocar um movimento semelhante, mas no sentido contrário, João Marcelo Dumoncel evitou fazer projeções sobre o comportamento da ação.“Não dá para analisar nesse sentido, numa análise ampla.”Ainda assim, o executivo reconheceu que qualquer aumento da mistura obrigatória representa um fator positivo para a companhia e para todo o setor de biodiesel.“O óbvio é que qualquer incremento de mistura é positivo para a 3tentos e para todas as empresas do setor.”SAF ainda não faz parte dos planosAo comentar o futuro dos combustíveis renováveis, Dumoncel afirmou que o Brasil tem potencial para se tornar uma grande plataforma global de exportação de biocombustíveis, impulsionado por iniciativas como o avanço do etanol e o desenvolvimento do SAF (combustível sustentável de aviação).Questionado se a 3tentos pretende produzir SAF no futuro, o executivo disse que esse ainda não é um projeto da companhia.“Hoje não está no radar. Mas a 3tentos já está na cadeia dos biocombustíveis, historicamente com o biodiesel e agora também com o etanol. Talvez o SAF ou outros biocombustíveis avançados estejam no nosso radar no futuro, talvez não diretamente, mas de forma indireta.”Para Dumoncel, a tendência é que o papel dos biocombustíveis ganhe ainda mais relevância nos próximos anos, tanto no mercado doméstico quanto internacional.“Hoje essa pauta já não é apenas brasileira. É uma pauta mundial.”