Gravação revela que suspeito e casal morto brigavam por muro e calçada

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Um áudio gravado durante uma audiência revela que o empresário Evandro Gabriel Ferreira, de 60 anos, e o casal Leonardo de Oliveira Campos, de 42, e Rayane Lins Farias Campos, de 38, travavam uma disputa judicial por causa de um muro e de uma calçada.Evandro é o principal suspeito de matar o casal a tiros, em um condomínio localizado em Ponte Alta, no Gama (DF), na última quinta-feira (16/7). Os corpos das vítimas foram encontrados na manhã dessa sexta-feira (17). O empresário foi preso. Leia também Mirelle PinheiroSuspeito de matar casal no DF ameaçava vizinhos em grupos de WhatsApp Mirelle PinheiroSuspeito de matar casal no DF andava com mensagem ameaçadora no carro Mirelle PinheiroSuspeito de matar casal em condomínio tem longa ficha criminal; veja Mirelle PinheiroSuspeito de matar casal em condomínio: “Não ficará um de direita em pé” “Vocês são vizinhos, né? É um pedacinho de nada, que tem que arrumar, aí acaba a briga de vocês logo. Pelo que eu vejo aqui, tem uma rampa lá, né? Vocês não querem fazer descendo de cima do nível até embaixo? Não precisa ficar alto nem baixo, vai fazendo  a rampa descendo. Não querem fazer assim?”, sugere a mediadora da audiência.Evandro responde que, anteriormente, já era como a mediadora sugeriu, com autorização da administração.Leonardo se defende: “Eu tive que gastar com o rebaixamento do meu lote para estar no nível do condomínio. Fui fortemente cobrado para ter calçada e estar na metragem. Tem outros casos no condomínio, descasos na verdade, onde teve esse mesmo problema e ele colocou só uma rampa. Por que cobrou de mim todo o regimento e para o outro vizinho não cobrou?”, questionou a vítima.A mediadora continua a analisar a situação com os envolvidos. “Olha, gente, eu não sei se estou certa, mas eu estou vendo que esse ‘pedacinho’ é do autor (Evandro), né? Não poderia ter mexido ali, eu acho. Se ele está contra as normas, ele vai ter o problema dele com o condomínio, você peçam a atitude do residencial”, aconselhou. Ela então sugere que as partes cheguem a um acordo e Evandro concorda, mas Leonardo se mostra resistente. “O acordo meu é seguir o regimento porque eu fui muito cobrado para seguir.”A mediadora pede que Leonardo coloque as “coisas” como estavam antes e cobre o síndico para que o condomínio tome providências em relação a quem não está seguindo o regimento. “Na verdade, o condomínio se ausentou, e aconteceram essas coisas”, disse Leonardo.5 imagensFechar modal.1 de 5Lote onde o casal foi encontrado sem vidaImagem cedida ao Metrópoles2 de 5Segundo a PMDF, os corpos foram localizados na manhã desta sexta-feira (17/7)Imagem cedida ao Metrópoles3 de 5As circunstâncias do crime ainda serão apuradasImagem cedida ao Metrópoles4 de 5Rayane e Leonardo foram encontrados mortos na manhã de sexta-feira (17/7)Redes Sociais/Reprodução5 de 5Rayane e Leonardo passaram 15 anos juntos e formalizaram a união em 2025Redes sociais/ReproduçãoO crimeOs corpos das vítimas foram encontrados na manhã dessa sexta-feira, no gramado da residência em que pretendiam morar. À polícia, moradores relataram ter ouvido disparos de arma de fogo na tarde de quinta-feira (16/7), por volta das 15h.Informações preliminares indicam que Evandro é vizinho do casal e que o duplo homicídio pode ter sido motivado pelo desentendimento relacionado ao muro que divide os imóveis.Rayane era coordenadora do Cadastro Único (CadÚnico) em Santo Antônio do Descoberto (GO), enquanto Leonardo trabalhava como coordenador de vendas da Brasal Refrigerantes. Eles se casaram no ano passado e deixam uma filha pequena.A ocorrência foi atendida inicialmente por policiais do 9º Batalhão da PMDF, com apoio da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) e das equipes especializadas da DOE.O caso é investigado pela 20ª Delegacia de Polícia (Gama), que apura a dinâmica do crime e sua motivação.AtaquesEvandro costumava publicar mensagens de ódio em seu perfil nas redes sociais. Em uma das postagens, Evandro escreveu que, no Distrito Federal, “não ficará um de direita de pé”.Ele ainda escreveu que seu melhor é “mandar políticos e ex-políticos para o inferno”.Parte das publicações foi feita na quinta-feira (16/7), dia em que o crime ocorreu.Ele também costumava circular com uma mensagem afixada em um dos vidros de seu carro.O texto dizia: “Contra falsos defensores de mulheres e trabalhadores, contra ditadores, contra fascistas, contra nepotismo, contra seres depravados, sou contra bossais (sic). Como uma ex disse: ‘Sou gente!’”O empresário acumula um extenso histórico criminal, com registros por homicídio, tentativa de homicídio, ameaça, porte ilegal de arma, violência doméstica e desacato. Além dos crimes descritos, a ficha de Evandro também inclui registros de resistência, desobediência, injúria, perturbação da tranquilidade, dano e infrações previstas na Lei Maria da Penha.