“Impacto tende a ser marginal”; nova tarifa dos EUA deve atingir setores específicos, avalia especialista

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A nova tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que entrará em vigor a partir desta quarta-feira (22), tem reversão ou redução considerada improvável e pode sofrer acréscimo de até 12,5% em setores em específico, segundo Leonardo Costa, sócio e head de alocação da Etmos.A medida continua no radar de investidores. Ainda assim, o especialista avalia que “o impacto econômico agregado no Brasil tende a ser marginal”, como afirmou em entrevista ao Giro do Mercado, programa do Money Times no YouTube. Assista à íntegra abaixo.De acordo com Costa, o impacto da nova tarifa projetado para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 está estimado em cerca de 0,03 ponto percentual, uma vez que apenas cerca de 17% das exportações brasileiras aos Estados Unidos estaria sujeita às novas tarifas.Além disso, o especialista adota uma visão mais tranquila sobre o novo cenário. Ele lembra que, em episódios anteriores, empresas brasileiras conseguiram reduzir os efeitos das barreiras comerciais por meio da diversificação dos destinos das exportações, preservando o saldo positivo da balança comercial.Setores econômicos mais afetadosEmbora Costa considere que o efeito macroeconômico da nova tarifa no Brasil seja limitado, alguns segmentos ainda devem sentir impactos mais relevantes. Entre os setores citados pelo especialista estão o madeireiro, o de máquinas e equipamentos elétricos e o sucroalcooleiro, bem como outras áreas ligadas às commodities agrícolas.No mercado acionário, empresas nesses segmentos e inseridas no comércio internacional são mais vulneráveis, e tendem a ser acompanhadas de perto pelos investidores, especialmente diante da possibilidade de mais restrições comerciais.Nesse sentido, Costa também menciona que o governo já estuda algumas medidas de compensação para setores prejudicados pelas tarifas, como também foi feito no passado. Preocupações fiscaisEmbora eventuais medidas de apoio governamentais possam amenizar perdas para empresas exportadoras, Costa destaca também que elas podem aumentar a pressão sobre as contas públicas em um momento de restrições fiscais, e que é um risco que merece atenção adicional. “Novos socorros ou qualquer ajuda do tipo, evidentemente, têm impacto do ponto de vista fiscal”, afirmou.Assim, enquanto os efeitos diretos sobre o PIB parecem administráveis, o mercado continuará monitorando os desdobramentos da política comercial norte-americana.