Vantagem competitiva não está na IA: está no que fazemos com ela

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Antes de perguntarmos como queremos que as pessoas utilizem IA, devemos perguntar: o que queremos transformar com ela? Que processos e tarefas queremos repensar? Onde pode criar valor? O que queremos mudar no nosso modelo de negócio? A transformação não começa no prompt. Começa na estratégia. E essa discussão deve começar no topo. Se encararmos a IA não apenas como tecnologia, mas como uma nova capacidade de trabalho, a pergunta deixa de ser «que ferramenta vamos implementar?», e passa a ser «como queremos que o trabalho seja feito?»Só depois devemos preparar as pessoas. É aqui que entra a literacia em Inteligência Artificial. Não para transformar todos em especialistas, mas para compreender possibilidades e limitações, utilizar a IA de forma eficaz e responsável e manter pensamento crítico sobre os seus resultados. Recentemente, no HR Week Lisbon, ouvi Stephan de Moraes dizer uma frase que ficou comigo: «Or we master AI, or we will be AI puppets.» Quanto mais capacidade entregamos à tecnologia, mais importante se torna preservar a nossa capacidade de pensar, questionar e decidir. É por isso que as competências humanas ganham importância: pensamento crítico, criatividade, comunicação, empatia, adaptabilidade ou liderança. Quanto mais poderosa se torna a tecnologia, mais estratégicas se tornam competências que sempre considerámos humanas. O papel das empresas na aprendizagem também deve mudar. Já não basta dar acesso ao conhecimento – esse acesso tornou-se praticamente infinito. É preciso direccionar a aprendizagem: ajudar as pessoas a perceber o que precisam de desenvolver, porquê e como isso se relaciona com a estratégia. Talvez nunca tenhamos tido tanto para aprender e, simultaneamente, tanta dificuldade em decidir o que vale realmente a pena aprender. E fica um último repto: num contexto em que funções e tarefas estão em transformação, fará cada vez mais sentido uma verdadeira abordagem por competências, identificando estrategicamente as capacidades necessárias para executar a estratégia. Mas essa discussão fica para um próximo artigo. A vantagem não estará em ter acesso a uma IA melhor. Estará em ter pessoas que sabem melhor o que fazer com ela. Este artigo foi publicado na edição nº 34 da revista Líder, cujo tema é ‘Depois do Amanhã’. Subscreva a Revista Líder aqui.O conteúdo Vantagem competitiva não está na IA: está no que fazemos com ela aparece primeiro em Revista Líder.