Notas deste Setembro

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– Um destes dias encontrei um cavalheiro circulando de trotineta elétrica pela marginal, em Oeiras. Para maior desfrute usava headphones.– É impressão minha ou as discussões políticas em nome da defesa das instituições, de tão estridentes, estão a fragilizar as instituições?– Por falar nisso: o crime de corrupção ligado ao financiamento de Vale do Lobo, envolvendo J. Sócrates, pode ter prescrito. A Justiça está a ser goleada por um só homem.– Por vezes fica-se com a ideia que a segurança é um tema que só interessa à extrema-direita. Esta lógica, creio, é muito favorável à dita extrema, porque transmite a ideia de que os outros não se preocupam com o que importa ao povo. Claro que só por dizer isto me arrisco a ser acusado de pertencente ao grupo…– O boicote de vários participantes no festival Commedia à la Carte por causa de Jerry Seinfeld talvez tenha mostrado o perigo de nos levarmos demasiado a sério. Mas compreendo os críticos: eu mesmo, desde Trump, estou a boicotar os EUA. O mundo ainda não sabia mas agora também passa a saber.– É talvez por estas e por outras que a liberdade de expressão, diz a imprensa, recuou em Portugal.– Entre as vítimas sobreviventes da tragédia do Elevador da Glória, informou-nos uma excelente reportagem no Expresso, há quem não tenha sido contactado, consolado, indemnizado. Como diria José Gil, a não-inscrição persiste. Com ela a falta de responsabilidade. Uma outra tragédia e uma vergonha.– O jogo online é uma chaga social. Gostava que o meu clube, Sporting, mostrasse a diferença de que se reclama e encontrasse outro tipo de patrocinador. E era bom que a regulação do setor fosse real.– Tinha a ideia de que haveria para aí uma polémica envolvendo a atriz Sydney Sweeney. Percebe-se a razão e deitam-se as mãos à cabeça. Nossa Senhora!– A guerra da Ucrânia continua. Já passaram mais que os três dias que o maior presidente de sempre precisava para resolver a coisa. Como lhes chamava no El País Lluís Bassets, o autocrata titulado e o aspirante vocacional estão bem um para o outro.– O Sr. Trump continua a querer batizar coisas. Lago Ontário? Não! Lago América. O homem não dá descanso.– Algumas pessoas andam chateadas com o sistema Volta. Eu cá acho bem e acho que o vidro também devia ir pelo mesmo caminho. Mas numa coisa concordo com os críticos: era bom que as máquinas funcionassem.– Há um novo cromo para a caderneta FC Porto, o roupeiro Jardel. Para juntar ao guarda Abel, a Luís Gonçalves e outros que tais. Um senhor.– A canção que ouço a maioria dos dias de setembro: September, de David Sylvian. Eterna. E este setembro, regressamos a Jorge Palma.– Um novo livro de um escritor de quem gosto: Melancolia dos Confins. Norte, de Matthias Enard.– E um grande filme: Dois Procuradores, de Sergei Loznitsa, sobre a loucura da repressão estalinista. As revoluções devoram sempre os seus filhos. Votos de um feliz e tranquilo Outono.O conteúdo Notas deste Setembro aparece primeiro em Revista Líder.