Banco do Brasil (BBSA3): O balde de água fria que faz ação despencar 6% nesta terça-feira (6)

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Se o investidor de Banco do Brasil (BBAS3) ficou animado com o trade eleitoral, é melhor conter a animação.Em relatório nesta terça-feira, o JPMorgan mandou a ‘real’ e rebaixou o banco de neutra para venda, com preço-alvo de R$ 22 para R$ 23. Apesar do R$ 1 a mais no preço, o potencial de queda é de 13% em relação ao fechamento da última quarta-feira (5).O ‘banho de água fria’ foi sentido na bolsa. Por volta das 15h, a ação caía 5,58%, a R$ 24,86. A lógica por trás do corte do JPMorgan é que o BB irá ‘penar’ por mais alguns trimestres, com resultados fracos diante da alta inadimplência do produtor rural e de outros fatores.“Incorporamos uma perspectiva mais desafiadora para os créditos inadimplentes do setor agropecuário a partir de julho-agosto; um real mais forte provavelmente não será benéfico, e o risco do El Niño permanece apesar da leve melhora nos preços das commodities”, escrevem os analistas.O JPMorgan escreve ainda que, embora o mercado possa continuar a tratar o Banco do Brasil como um veículo para mudanças políticas, “acreditamos que o menor ROE torna o retorno do investimento menos atrativo em comparação com outras oportunidades no Brasil”.Como está a situação do Banco do Brasil?O BB viu o seu lucro derreter 60% nos últimos balanços, mas mais por questões setoriais do que por ações do governo federal, com o agronegócio vivendo um dos piores momentos da história na área de crédito.Além disso, o JPMorgan nota outro ponto: embora tenha subido cerca de 20% em dólar desde sexta-feira (similar à Inter, próxima ao Bradesco (BBDC4) e acima da EWZ, que subiu cerca de 12,5%), a ação ficou para trás em comparação com outras ações do mercado, “o que, em nossa opinião, sugere menor apetite de compra pela ação”.Com um múltiplo de preço/valor patrimonial (P/VP) de aproximadamente 0,8x, para o JPMorgan BBAS parece cara, “mesmo após a redução do custo de capital próprio”.“Portanto, rebaixamos a recomendação das ações devido aos desafios de curto prazo e ao potencial de valorização relativamente limitado”.“Embora continuemos a considerar o Banco do Brasil uma empresa sólida, seu ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) e posição de capital hoje são mais fracos do que no passado e, portanto, não esperamos que ele retorne aos picos históricos recentes de 1,1–1,2x P/VP (preço sobre valor patrimonial)”.Queda do lucroOs analistas também cortaram a projeção de lucro em cerca de 4% a 5%, visto que os dados regulatórios recentes são menos animadores. Há pressão também vindo do câmbio, caso se mantenha em R$ 5, além do El Niño.Nem mesmo as taxas de juros devem ajudar o banco. Segundo os analistas, as taxas de juros mais baixas – embora favoráveis à inadimplência – também devem representar um obstáculo para a margem de intermediação financeira (NIM), principalmente porque a BBAS historicamente lucra com as taxas mais altas.“Também consideramos as tarifas de conta corrente, um item que vem diminuindo no setor, como um risco de médio prazo para o ROE do banco”.