Rodrigo Caio explica por que não foi ao Monaco com Filipe Luís e descarta ser técnico

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A oportunidade de trabalhar no futebol europeu bateu à porta de Rodrigo Caio, mas acabou esbarrando em um detalhe extracampo: o idioma. Depois do acerto de Filipe Luís para comandar o Monaco, da França, o ex-zagueiro não pôde acompanhar o amigo como auxiliar técnico devido à falta de fluência na língua inglesa. O veto foi explicado pelo CEO do clube francês, Thiago Scuro. Em entrevista ao Sports Market Makers, o executivo destacou a necessidade de o profissional se comunicar diretamente com os jogadores.Rodrigo Caio trabalhou com Filipe na comissão técnica do Flamengo, e entregou o cargo no mesmo dia em que o amigo foi demitido, em 3 de março desse ano. Em entrevista exclusiva ao ge, Rodrigo contou que, naquele momento, os dois já conversavam sobre a possibilidade de o treinador trabalhar na Europa. No entanto, sem a companhia do auxiliar dessa vez.– Sempre deixei claro para ele (Filipe) que eu não sou fluente no inglês e que eu não iria com ele somente porque… “ah, você é bom”. Eu quero me comunicar bem, quero passar meu trabalho, quero ser alguém dentro da comissão que possa acrescentar, como fiz no Flamengo. Conversei com o Thiago (Scuro, CEO do Monaco) e fui bem claro com ele também.O ex-zagueiro admitiu que, quando era jogador profissional, deixava o aprendizado de idiomas em segundo plano, mas hoje encara o inglês como indispensável para a sua carreira.Para correr atrás do tempo perdido, Rodrigo Caio montou uma rotina intensa de estudos. O ex-zagueiro faz aulas online três vezes por semana com um professor particular, cumpre tarefas diárias e busca imersão assistindo a filmes e produções no idioma original. Como exemplo, citou o documentário sobre o técnico português José Mourinho, poliglota como Filipe Luís.– A pronúncia dele é mais fácil para você se conectar, disse.Além disso, planeja viagens internacionais ao lado da esposa para “destravar a vergonha” de falar em público.Licença A da CBF e recusa a convites no BrasilRecentemente, Rodrigo Caio deu um passo importante na transição de carreira ao obter a Licença A de Treinador de Futebol da CBF Academy. E seu trabalho de conclusão de curso foi a versão acadêmica da própria experiência: o desempenho do Flamengo na temporada de 2025, a que trabalhou no clube ao lado de Filipe Luís e do preparador físico Diogo Linhares. Embora já esteja habilitado e tenha recebido convites de clubes brasileiros para integrar comissões técnicas, o ex-zagueiro optou por recusar as propostas imediatas.– Tive convites para trabalhar em alguns lugares no futebol brasileiro, mas não me vejo preparado ainda. Quero dar mais um tempo, assistir aos jogos e estudar. Ser técnico eu não penso, nem agora e nem no futuro. Eu brinco com o Felipe: “Felipinho, onde você foi entrar, cara? Que loucura!”. Treinador é uma coisa à parte. Meu foco é trabalhar dentro de uma comissão, em um projeto que se conecte comigo.Durante este período de pausa, Rodrigo Caio tem se dedicado ao estudo aprofundado de jogadas de bola parada – especialidade que exerceu na comissão do Flamengo-, além de aproveitar o tempo com a família e jogar tênis, “um esporte que virou paixão”. O retorno ao futebol está previsto para a próxima temporada.Saída do Flamengo por lealdade e elogios a Leonardo JardimSobre a saída do Flamengo, Rodrigo Caio voltou a falar que a decisão de deixar o cargo de auxiliar logo após a demissão de Filipe Luís foi motivada por lealdade e princípios pessoais. O ex-atleta comunicou a decisão diretamente ao presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, e garante que deixou as portas abertas no clube carioca.– O Felipe me convidou, o trabalho foi espetacular e, a partir do momento que ele sai, minha consciência e meu coração pediram para sair junto. Não foi só questão de lealdade, mas de princípios. Falei abertamente com o presidente, ele entendeu perfeitamente e minha gratidão ao Flamengo é enorme.Mesmo fora, Rodrigo Caio segue acompanhando os jogos do Flamengo. E considera o ex-clube favorito para conquistar de novo os títulos do Brasileirão e da Libertadores. Ele elogiou o elenco atual, chamando a equipe de “seleção”, e o trabalho do técnico Leonardo Jardim, que substituiu Filipe. O ex-zagueiro também fez menções carinhosas a ex-companheiros como os jogadores Arrascaeta, Bruno Henrique e Léo Pereira.– Moram no meu coração, são amigos mesmo que eu tenho dentro do futebol. Enfim, a gente fica na torcida e espera que eles possam ser muito felizes com títulos, com vitórias e conquistas.Bastidor: mensagem para Filipe Luís na virada do Palmeiras e palpites para a final da LibertadoresProjetando os momentos decisivos da Copa Libertadores, Rodrigo Caio revelou um bastidor curioso sobre uma conversa que teve com Filipe Luís durante a virada histórica do Palmeiras sobre a LDU, no jogo de volta das semifinais em 2025.O ex-zagueiro contou que não acompanhou a partida de ida no Equador, na qual o Palmeiras perdeu por 3 x 0, mas decidiu assistir ao jogo de volta. Quando o Palmeiras abriu 2 a 0 ainda no primeiro tempo, Rodrigo sentiu que a classificação do clube paulista se confirmaria e decidiu compartilhar um palpite e um desejo com o amigo.– Estava 2 a 0, eu desliguei a TV e mandei mensagem para o Felipe: “Nós e Palmeiras na final. Tem que ser nós e Palmeiras na final”. Porque a gente tinha perdido em 2021 e nada mais justo. Estava 2 a 0, eu fui dormir e aconteceu. Seria especial.Perguntado sobre o palpite para a final da Libertadores deste ano, Rodrigo admitiu que quer mais um reencontro com o alviverde, caso o Flamengo passe pelo Estudiantes de La Plata na semifinal.– Torço muito para que seja Flamengo x Palmeiras. Assim… virou uma uma rivalidade boa, né? As duas maiores potências do futebol brasileiro em investimentos, performance… enfim, estão brigando ponto a ponto no Brasileiro. Então, nada mais justo.E se a final dos sonhos de Rodrigo Caio acontecer, ele também tem um palpite sobre o favorito.– Eu aposto no Flamengo, claro! Final, como eu falo, tudo pode acontecer. Mas aposto em 60% (para o Fla) contra 40% (para o Palmeiras).Já em um possível clássico diante do Fluminense, adversário do Palmeiras na semifinal, ele prevê um cenário de equilíbrio, dividindo as chances em 50% a 50% e ressaltando a dificuldade histórica do confronto.– Aí é diferente. O Fluminense sempre foi um time que criou muita dificuldade para o Flamengo, muita. Se eu não me engano, nos cinco anos que eu fiquei no Flamengo, foi o time que eu mais perdi”.Anunciado pelo Flamengo em dezembro de 2018, o defensor permaneceu na equipe até dezembro de 2023. Nesse período, disputou ao todo 43 jogos contra o Fluminense, somando 17 vitórias para os rubro-negros, 14 do Tricolor e 12 empates.Defesa a Ancelotti e crítica ao imediatismo na SeleçãoObservando o momento da Seleção Brasileira, Rodrigo Caio saiu em defesa do técnico Carlo Ancelotti e fez duras críticas à cultura de imediatismo no futebol do país. Para o ex-zagueiro, a falta de continuidade nos trabalhos impede o Brasil de atingir a consistência demonstrada por seleções como Argentina, França e Espanha, que mantêm a base de seus elencos por longos períodos.– O imediatismo me incomoda muito. Em 20 minutos de jogo já temos 50 treinadores no Brasil criticando. É preciso dar tempo ao Ancelotti. As seleções campeãs mantêm jogadores por 8 a 12 anos. Aqui, se perde uma Copa, o jogador não presta mais. É preciso ter calma e processos.Aposentadoria e distância das “peladas”Rodrigo Caio encerrou a carreira de jogador em maio de 2025, aos 31 anos, em decorrência do acúmulo de lesões graves que começaram quando ele tinha apenas 15 anos de idade. Dois anos, o ex-zagueiro evita até as peladas com amigos.– O futebol exige aceleração, frenagem, mudança de direção e salto. Vou falar para você que a última vez que eu joguei foi o Filipe (Luís) quem me chamou. Nossa, fiquei dolorido duas semanas. Hoje prefiro o tênis, no tênis eu me divirto sem sofrer.O post Rodrigo Caio explica por que não foi ao Monaco com Filipe Luís e descarta ser técnico apareceu primeiro em Vitrine do Cariri.