O IMOB, índice da B3 que acompanha o desempenho médio das ações de empresas do setor imobiliário brasileiro, opera em forte alta nesta segunda-feira (5), com o mercado avaliando o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais realizado no domingo (4).Por volta das 11h30 (horário de Brasília), o indicador disparava 13,5%, aos 1.591 pontos, elevando a alta acumulada em 2026 para 22%.Entre as incorporadoras listadas, algumas subiam mais de 20%. No caso das companhias voltadas à habitação popular, MRV (MRVE3), Tenda (TEND3), Plano&Plano (PLPL3) e Direcional (DIRR3) avançavam 16%, 12%, 20% e 13%, respectivamente.Já entre as construtoras focadas nos segmentos de média e alta renda, Eztec (EZTC3), Cyrela (CYRE3), Moura Dubeux (MDNE3) e Even (EVEN3) subiam 17%, 21%, 15% e 18%, na ordem.O movimento positivo no setor ocorre um dia após Flávio Bolsonaro (PL-RJ) surpreender o mercado ao superar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno das eleições e abrir uma vantagem de 2,2 milhões de votos frente ao incumbente.Para o BTG Pactual, o senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro é o favorito a vencer o segundo turno, marcado para 25 de outubro.Uma eventual vitória de Flávio também poderia favorecer setores mais sensíveis à atividade econômica e à percepção de risco dos investidores, na visão do banco.Segundo a casa, entre os segmentos que tendem a apresentar desempenho superior estão justamente as construtoras, especialmente aquelas voltadas aos mercados de médio e alto padrão.JP Morgan muda recomendaçãoEm relatório, o JP Morgan, inclusive, mudou sua recomendação entre as incorporadoras listadas após o resultado do primeiro turno das eleições brasileiras.O banco elevou Cyrela (CYRE3) e Eztec (EZTC3) de neutro para overweight (equivalente à compra), enquanto rebaixou Cury (CURY3), Direcional (DIRR3) e Tenda (TEND3) de overweight para neutro.Com isso, a nova ordem de preferência da casa norte-americana é: CYRE, EZTC, MRVE, DIRR, CURY e TEND.A avaliação dos analistas do JP é de que o resultado do domingo (4) aumentou a probabilidade de uma mudança de governo e, consequentemente, pode favorecer uma compressão dos juros reais de longo prazo.Na visão do banco, uma redução do prêmio de risco fiscal e uma melhora na confiança sobre a política econômica do Brasil poderiam diminuir o custo de capital das empresas e estimular os investidores a buscar ações de maior beta, como as incorporadoras de média e alta renda.Na outra ponta, as construtoras de habitação popular, segundo o JP, enfrentam riscos como maior restrição de crédito pela Caixa Econômica Federal (CEF) e menor apoio ao Minha Casa, Minha Vida (MCMV) em um eventual novo governo de Flávio Bolsonaro (PL).Nesse cenário, Cyrela e Eztec, mais expostas aos segmentos de média e alta renda, seriam as principais beneficiadas, de acordo com a instituição.A casa ressaltou, porém, que ainda não alterou suas estimativas de resultados nem os preços-alvo para dezembro de 2027, aguardando maior visibilidade sobre a agenda econômica e habitacional do possível novo presidente.Eleição pode repetir movimento de 2018O banco norte-americano usa o desempenho das incorporadoras em 2018, quando Jair Bolsonaro foi eleito presidente, como referência para estimar o potencial de reprecificação das ações após uma mudança no cenário político.Naquele ano, as construtoras chegaram a registrar forte expansão dos múltiplos. Em um horizonte de 12 meses, Cyrela teve alta de 13% no múltiplo P/L e de 112% no P/VP, enquanto a Eztec avançou 27% no P/L e 64% no P/VP.