Iniciativa brasileira faz gênios do passado “ganharem vida” por meio da IA em experiência inovadora de ensino

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O uso da inteligência artificial (IA) no ambiente educacional tem gerado intensos debates, mas uma iniciativa recente mostra como essa tecnologia pode ser uma aliada no ensino e na divulgação científica.Na última sexta-feira (2), o uso de modelos generativos de IA para simular conversas com personalidades históricas da ciência foi tema do programa Olhar Espacial, apresentado pelo astrônomo Marcelo Zurita, que recebeu o professor Ricardo Francisco Pereira, do Departamento de Física da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Coordenador de projetos de formação continuada de professores e pesquisador na área de ensino de física e astronomia, ele compartilhou sua experiência ao escrever um artigo em duas partes para a revista Astronova. No projeto, ele utilizou a ferramenta de IA Manus para simular uma entrevista fictícia com o físico e astrônomo Galileu Galilei.Imagine conversar com gênios do passado, como Galileu Galilei, usando a IA – o Olhar Espacial convida você para essa experiência. – Crédito: Imagem gerada por IAAtividade leva IA para sala de aula de forma proveitosa e criativaDurante a entrevista, Pereira detalhou o passo a passo do desenvolvimento desse experimento pedagógico. “O uso das IAs passou a criar uma dificuldade, em que nós temos que nos modernizar, nos atualizar, desenvolver atividades em que os alunos não façam simplesmente o básico – enviar um prompt, copiar e colar, depois apresentar para a gente em sala de aula”, disse o professor. “Então, já tento lidar com essa questão da IA na educação na prática, na vivência. E uma das atividades que eu estava tentando desenvolver envolvia um pouco de história da física. Obviamente, quando a gente fala de história da física, um dos maiores nomes que vem à cabeça é o Galileu Galilei. Aí me veio a ideia de tentar fazer uma entrevista com o Galileu, ver se eu conseguia uma resposta adequada de uma IA para me responder como se fosse o próprio”.Pereira explicou que o procedimento foi desenvolver as questões como se ele fosse um entrevistador e passar essas perguntas para a IA responder como o físico. “Eu expliquei o que eu queria para a IA e desenvolvi questões, temas da pesquisa que eu queria perguntar. Fui montando e desenvolvendo as minhas questões tentando explorar não simplesmente uma resposta pronta da IA; eu gostaria e queria que ela tentasse gerar uma resposta que o Galileu responderia. É diferente de você simplesmente colocar uma pergunta direta e ela responder, porque ela tem acesso a muito material sobre Galileu. Mas quando faz uma pergunta, por exemplo, de como ele chegou a uma determinada conclusão, essa IA vai ter que criar uma resposta que não existe, e aí você consegue contextualizar o personagem”.Entre as questões levantadas pela IA que mais se destacaram, estiveram a motivação para apontar a luneta para o céu – feito que revolucionou a astronomia no início do século XVII, o tornando conhecido como  “pai da astronomia moderna” – e os sentimentos do cientista ao ter que renegar suas descobertas perante o tribunal da Inquisição.Marcelo Zurita e o professor Ricardo Francisco Pereira, do Departamento de Física da Universidade Estadual de Maringá (UEM), no programa Olhar Espacial. – Crédito: YouTube/Olhar DigitalPúblico do programa conversou com Newton e Einstein Ao longo do programa, Zurita também colocou a tecnologia em prática ao vivo, abrindo um chat interativo para fazer perguntas a representações de outros ícones da ciência, como Isaac Newton, Albert Einstein e Cecilia Payne. Os avatares das IAs responderam a questionamentos enviados pelo público e pelo apresentador, abordando tópicos como os limites do uso da matemática no Universo, as implicações conceituais da relatividade geral e os desafios enfrentados pelas mulheres na trajetória acadêmica.Apesar dos resultados positivos e do caráter lúdico da experiência, Pereira fez alertas importantes sobre as limitações da tecnologia. Ele ressaltou que a IA deve ser tratada estritamente como uma ferramenta didática complementar, e não como uma fonte definitiva de reconstrução histórica ou substituta do pensamento crítico. Simulação de conversa com Isaac Newton usando a IA. – Crédito: YouTube/Olhar Digital“Eu acho que dá para ter uma noção do contexto, mas a gente nunca sabe se o Galileu realmente responderia aquilo, não tem como saber. Você só tem como estimar se a resposta está próxima daquilo que o Galileu pensava dado os trabalhos dele, dado o que ele falava e publicava. Então, há que se ter muito cuidado com isso, desse contexto, e usar ela mais como ferramenta didática mesmo para ajudar a compreender mais sobre o caso do Galileu, sobre as descobertas e as consequências delas. Há que se ter bastante cuidado para não ter nenhuma desconstrução histórica dos personagens”.Para o professor, o uso inadequado das IAs pode induzir a erros por meio de “alucinações” do sistema – quando a máquina inventa dados ou insere conceitos anacrônicos – e comprometer o desenvolvimento cognitivo dos estudantes caso estes apenas terceirizem suas tarefas intelectuais.Por fim, o convidado defendeu a necessidade de uma adaptação pedagógica consciente por parte de educadores e estudantes. Em sua visão, cabe aos professores reformular a dinâmica das atividades em sala de aula, incentivando o uso responsável da inteligência artificial para estimular a curiosidade e o aprendizado ativo sem abdicar da reflexão própria.O post Iniciativa brasileira faz gênios do passado “ganharem vida” por meio da IA em experiência inovadora de ensino apareceu primeiro em Olhar Digital.