Partidos do Centrão preparam negociações sobre apoio no segundo turno

Wait 5 sec.

Com a definição do segundo turno na disputa à Presidência, os partidos do centrão começam agora a negociar os apoios que serão dados a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).O cenário, por enquanto, é de cautela por parte dos congressistas. Integrantes do PP, PSD e União entendem que é preciso esperar o posicionamento das lideranças antes de começar a declarar apoio a Flávio ou a Lula. A expectativa, no entanto, é que o apoio seja majoritário ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.Isso porque o resultado do primeiro turno mudou a percepção desses partidos. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) confirmou que os eleitores voltarão às urnas no dia 25 de outubro às 20h56 deste domingo (4), quando 96,78% haviam sido apuradas. Nesse horário, Flávio tinha 47,39% dos votos contra 44,74% de Lula. Com 100% das urnas apuradas, o candidato do PL somava 47,03% dos votos enquanto Lula acumulava outros 45,16%.Ao terminar na frente, Flávio reconfigurou um cenário de neutralidade e alguns desses grupos devem dar apoio ao bolsonarista. Um deles é o PSD. O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado foi candidato da sigla nas eleições e formalizará nesta terça (6) o apoio a Flávio. Eleições 2026: Câmara consegue reeleger mais da metade dos deputados Rui Falcão, Paulo Teixeira e mais: veja nomes do PT não reeleitos na Câmara Campanha de Lula prepara "discurso moral" contra Flávio Ainda que o PSD tenha liberado sua base no primeiro turno para que os políticos apoiem Lula ou Flávio de acordo com as alianças construídas em seus estados, o grupo da direita espera que esse apoio seja majoritário para o candidato herdeiro do capital político bolsonarista na segunda etapa do pleito.Lula tentará angariar o apoio de outras frentes do Centrão, mas a tendência é que o PP e o Republicanos também embarquem na campanha do PL. Se no primeiro turno as duas siglas não fizeram um movimento de apoio, agora Flávio espera conseguir que parte importante dos dois partidos entre na campanha.Tanto o PP quanto o Republicanos tiveram ministros no governo Lula, mas não demonstraram apoio ao petista antes do primeiro turno. O Republicanos tem hoje como uma das principais lideranças o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que foi reeleito em primeiro turno e já disse que o objetivo, agora, é tentar conduzir Flávio ao Planalto.O único empecilho no caso do Republicanos é o presidente da Câmara, Hugo Motta (PB). Lula apoiou o pai do deputado, Nabor Wanderley (Republicanos), na disputa ao Senado, o que reforçou os laços entre Motta e o petista.Por conta disso, o coordenador da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL), disse que o apoio do Republicanos está “quase fechado, com algumas dissidências”. De acordo com ele, o partido ainda terá conversas com o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, para ter essas definições.“Conversamos durante as eleições, e logo após o resultado nós conversamos. Ao longo da semana teremos uma conversa. Quase que a unanimidade do Republicanos pelo país, com algumas dissidências, notadamente na Paraíba, mas a maioria do partido tende a ficar conosco”, afirmou Marinho.Já o PP marcou uma reunião para esta terça-feira com presidentes de diretórios estaduais, deputados e senadores para definir o apoio no segundo turno. O encontro na Câmara dos Deputados pode, por tabela, definir também o apoio do União Brasil a Flávio Bolsonaro, já que os dois formam uma federação e devem seguir o alinhamento político nesses cenários.Já o MDB deve manter uma posição de neutralidade e liberar os apoios também de acordo com as alianças estaduais. Apesar de o partido não ter sinalizado formalmente um apoio, em uma gravação, o ex-presidente Michel Temer disse que a sociedade busca “novas ideias, novas atitudes, novos projetos e um caminho diferente” e que Flávio representaria essa ruptura.Para entenderem as tendências eleitorais e definirem apoio, os políticos têm usado as plataformas internacionais de “mercado de previsões”. Nelas, os apostadores negociam suposições com dinheiro real — geralmente em criptomoedas — sobre a probabilidade de eventos futuros ocorrerem.Depois do primeiro turno, essas plataformas ampliaram a vantagem de Flávio Bolsonaro. Esse cenário também mudou a percepção de parte dos políticos, que entendem ser “estratégico” apoiar o candidato que está em vantagem neste momento.